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O mundo vai acabar? O homem pode ser eterno no Planeta?


Este texto terá mais perguntas do que respostas, desde já agradeço ao leitor que queira contribuir com um comentário ou venha a ajudar com alguma eventual resposta ou mesmos com novas perguntas.

Começamos então com alguns questionamentos:

Se o Mundo nunca acabasse e se o homem conseguisse ser eterno no Planeta o que isso acarretaria?

A possibilidade da eternidade no Planeta seria uma dádiva ou maldição?

Bem, se pensarmos seja no magistério da Fé, ou ainda no da Ciência, são poucas as pessoas que não ambicionariam a eternidade. Certamente as pessoas religiosas pleiteiam a eternidade no pós-vida material; as pessoas não religiosas ou que não creiam em uma vida espiritual também desejariam uma eternidade aqui mesmo neste Planeta ou em outro planeta para o qual possamos viajar no futuro.

Notamos facilmente que até mesmo pessoas religiosas, ainda que não questionem ou reflitam os seus dogmas religiosos relativos ao pós-vida, querem prolongar a vida aqui na terra ao máximo possível. Dificilmente encontramos pessoas relativamente jovens que digam de coração sincero: - “viver é bom mas eu preferiria já estar na outra vida...”

Bem amigo leitor, independentemente da religião de cada um, na maioria das vezes queremos prolongar nossa vida aqui na Terra o quanto seja possível, aliás não é por isso e para isso que buscamos nos alimentar bem, fazer exercícios, lazer e até mesmo cuidar da vida espiritual? Alguns vão dizer: - “eu faço isso para viver melhor, não para aumentar o meu tempo de vida neste planeta”. Bem, isso é verdade sei que há pessoas que pensam assim, mas esses são poucos.

Fizemos com que a Vida Humana fosse prolongada, e isso está ocorrendo aos poucos no Planeta. A vida humana de fato está se prolongando na Terra. Hoje temos, ainda que para poucos, poucos mesmo! Uma condição de habitação, alimentação, saúde, condições hospitalares, operações cirúrgicas, transplantes, medicamentos, vitaminas, academias, diversos locais para o lazer, e possibilidade de viagem do hemisfério que esteja frio para o quente ou vice-versa em poucas horas. E tantas outras condições materiais que de fato fazem com que algumas pessoas possam viver melhor e durante mais tempo.

A prova disso é o problema com a previdência que já está ocorrendo em vários países no mundo. A média de estimativa de vida está subindo verdadeiramente e progressivamente a cada década, a cada ano que passa.

Há paises desenvolvidos que a idade média é muito alta, muito alta mesmo e são tantos aposentados que o risco de “quebra” da previdência já é eminente .

Como seriam as condições quanto à previdência (aposentadoria) para um homem eterno?

Já temos hoje esse problema com a Previdência. E isso só pelo fato da vida humana está durando mais, imagine se a vida fosse eterna aqui no planeta, como seria? Ou não haveria condições de aposentadoria e você teria que trabalhar eternamente, ou você morreria por não ter condições de se alimentar e subsistir (lembremos que mesmo máquinas precisam de energia e manutenção) e assim de qualquer maneira acabaria com a possibilidade de sua eternidade.

Aí está um bom motivo para procurar trabalhar em algo que você ame mesmo fazer, imagine ter que trabalhar toda a eternidade em algo que não lhe dê prazer? Então independentemente de sua eternidade procure fazer isso desde já, que tal?

Outra questão que devemos lembrar que provavelmente ocorreria em algum momento, se é que já não esteja ocorrendo, ainda que por outros motivos, é a questão da natalidade controlada rigorosamente devido ao excesso de humanos que passariam a existir neste nosso planetinha azul, aliás será que ele continuará azul? O mundo era imenso, mas está “cada dia menor”. Se não passássemos a um controle rigoroso, viveríamos como ratos uns sobre os outros...

No início do século XIX, aproximadamente em 1802, éramos “apenas” 1 bilhão de habitantes. Hoje somos em 6,6 bilhões (6.600.000.000) de habitantes, nossa população está em explosão demográfica desde a Revolução Industrial que começou na Inglaterra em meados do século XVIII. Há uma estimativa que no final deste século XXI a população mundial atinja a extraordinária quantidade de 11 bilhões (11.000.000.000) de pessoas vivas no Planeta Terra.

Qual seria a quantidade de humanos que estariam aqui no Planeta, quando e se alcançássemos a possibilidade da eternidade? Como seria o planeta com a eternidade, um mundo de idosos? Ou, eternos jovens? Em que momento pararíamos o nosso envelhecimento? Com que idade conservar-nos-íamos. E as crianças e os velhinhos como iriam ser tratadas? Quantos seriam?

Outra questão para considerarmos é a questão econômica, qual seria o limite de crescimento imposto e quem controlaria esse crescimento? A possibilidade de prosperidade se daria para um percentual menor ainda do que se dá hoje? E o pior: nem todos poderiam ser eternos?

Sabe-se hoje que muitos morrem sedo, por não terem condições mínimas de saneamento básico, alimentação, moradia etc, isso é um fato para a maioria da população mundial, de qualquer maneira morrem mas sabem que os outros (“ricos”) morrerão também, mas saber que outros serão eternos enquanto você vai morrer é outra coisa.

Como ficariam as questões dogmáticas religiosas?

Como seria para as pessoas que tem fé na vida após a vida saber que poderiam optar em se manter aqui eternamente ou morrer para nascer na vida espiritual? É provável que, como vimos, essa vida eterna na Terra não seria para todo mundo, só para um grupo privilegiado que conseguisse alcançar as condições financeiras necessárias para a eternidade terrena e esses teriam que decidir seus destinos... Ficar aqui ou ir para o “milagre-surpresa” do pós-vida? Esses “privilegiados”, teriam que escolher o seu destino: A Vida Eterna na Terra, ou A Vida Eterna na Espiritualidade (e sem saber que vida teriam lá...)

Estou começando a achar que o paraíso é mesmo para os “pobres” e que é mais fácil um Rico passar pelo buraco de uma agulha do que entrar no Céu.

Em fim, será que a Natureza ou Deus não sabe o que faz? Creio que seja melhor, nascer, crescer, viver, aprender e depois morrer. Assim se dá chance a novos seres humanos nascerem, viverem e morrerem. Esse é um processo natural da Vida e é um aprendizado dos mais profundos que se possa imaginar. Desse Jeito nós refletimos, e pensamos de maneira não egoísta, tive a minha chance, agora é a vez das novas gerações...

Você ainda quer ser eterno? Bem, procure fazer algo para a humanidade, algo que faça as pessoas lembrarem de você, os seus filhos, os seus netos e outras gerações, assim você será eterno. Plante uma árvore, escreva um livro, tenha um filho, ou pelo menos poste um comentário neste artigo...


Abraços do
Benito Pepe

P.S. Dedico este texto ao amigo Vicemar Barbosa


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A F1 – Fórmula 1 – em Alegoria a uma empresa


Na Fórmula 1, quem gosta de assistir e acompanhar, nota claramente que as decisões e a diferença entre quem tem sucesso e quem perde ou é o principal vitorioso, está nos décimos de segundo e às vezes até nos milésimos de segundo...

Precisa-se tomar decisões em segundos e até em micro-segundos, isso ocorre tanto com a equipe ou com seu líder que seria o gerente na empresa, quanto com o piloto que é o representante visual da empresa, o homem da linda de frente, aquele que “aparece” ou não... aparece bem ou aparece mau, ou simplesmente não aparece.

A empresa pode ser comparada com o Piloto, o nome do piloto é o nome da empresa, é quem aparece. Quando falamos com alguma empresa automaticamente dizemos: olá é o fulano, e damos o nome da empresa. Muitas vezes reconhecemos o nome de uma pessoa e o seu “sobrenome” ou melhor o nome da empresa, assim: o João do banco tal, o Pedro da empresa tal, etc.

A mesma coisa ocorrem com o atendente do telemarketing ou atendente telefônico das empresas, eles são os que “aparecem”, “são” a empresa, independente de isso ser um totalizador real é uma verdade. Se ele atender mau, o cliente vai falar que tal empresa é ruim, é isso que ocorre, ou não é? Ou há alguém que diz “puxa” não dei sorte peguei um mau atendente...

Correlacionando a formula 1 podemos ampliar essas as ideas:

1. quem aparece é o piloto;

2. o “gerente” muitas vezes não aparece, mas ele também é o responsável pelo sucesso ou fracasso da equipe/empresa.

3. os proprietários “aparecem” como os Investidores, como os que têm ou não Ousadia – são ou não Arrojados, têm ou não Visão empresarial.

4. não podemos esquecer de maneira nenhuma os que muitas vezes ficam por de trás dos bastidores e cuidam da limpeza, da troca de pneus, da reposição de materiais, da alimentação, da saúde e segurança dos pilotos etc.

Em fim podemos notar claramente que muitos “desses pontos” são esquecidos ou menosprezados e considerados inferiores, mas são justamente esses detalhes que fazem o sucesso ou o fracasso de uma “equipe” em comparação a outra.

Quando visitamos um restaurante pela primeira vez, não conhecendo ainda nada quanto à higiene e qualidade, vamos ao banheiro lavar as mãos antes da refeição, se notamos uma limpeza ausente, ou um mau cheiro e coisa do gênero, acho que muitos de nós já começamos a pensar e repensar se permaneceremos ali, muitos dirão: eu vou embora na hora...

Bem, quero dizer com isso que às vezes e muitas são essas vezes, uma das funções mais simples na empresa pode fazer a diferença do sucesso ou do fracasso dessa empresa.

Na formula 1 muitas vezes os milésimos de segundos mostram quem vai vencer e quem perde a competição. Em qualquer empresa em um mercado de concorrência se passa a mesma coisa, são frações de segundo que vão separar a vencedora da perdedora...

Para as empresas, não cabem “só” a limpeza do banheiro mencionada no exemplo anterior, podemos incluir: a limpeza de todas as instalações, dos produtos em exposição, dos ambientes de trabalho com transparência de limpeza ou não, o odor no ambiente, a iluminação. Enfim há uma infinidade de frações de segundos a serem considerados.

Outros exemplos que se somam às frações de segundos e agora já podem ser computados em segundos ou minutos de diferença, é o atendimento do pessoal na empresa. Um bom atendimento seja do garçom, seja da simpatia da secretária que atende o cliente, ou seja lá de quem for que tenha contato com o cliente, pode fazer a grande diferença. Mas isso a maioria das empresas sabem, e os “vendedores” sabem que o atendimento faz a diferença, não há dúvidas quanto a isso.

Em outras palavras, com alguma exceção contingêncial, as equipes de fórmula 1, e as empresas possuem excelentes pilotos.

Então onde a empresa pode ganhar a “corrida” da concorrência é nos décimos e milésimos de segundo. Precisamos de uma boa diretoria que nos proporcione condições de enfrentar a concorrência; precisamos de um comprometimento e uma dedicação elementar; precisamos encarar nosso trabalho com responsabilidade e determinação; precisamos não só nós nos comprometermos com a equipe mas incentivar aos outros para que o façam.

Não adianta nada, o piloto mostrar um grande potencial, atingir as metas, porém ser irresponsável na hora certa de entrar no boxe ou errar uma freada. Basta um pequeno erro e a corrida estará perdida. Caro colega, não nos é permitido errar, imagine se um piloto de avião pudesse errar....

Agora, e se o piloto não obstante a ser um ótimo piloto, resolve não correr naquele dia ou mesmo treinar fervorosamente, será que alcança resultados quem não treina? Ou quem não entra na Corrida? Será que o piloto pode deixar de ir um dia treinar ou correr sem que seja bem evidenciado a toda equipe esse fato com antecedência? Salvo uma calamidade, é claro.

Nós somos pilotos de fórmula 1. E então somos da equipe vencedora ou da perdedora?

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A Alegoria da Caverna de Platão – Livro VII da República



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Esta alegoria, também chamada Mito da Caverna foi escrita por Platão século IV a.C, está contida no livro VII da Republica de Platão. É Leitura imprescindível para todas as pessoas de qualquer área de atuação.

Prefiro usar a palavra “Alegoria” pois penso que demonstra mais claramente o objetivo de Platão. A Palavra mito pode lembrar algo não tão representativo ou até mesmo “mentira” se considerada com o uso contemporâneo, e na realidade se usássemos o Mythos com o sentido ainda remanescente na época de Platão poderia se confundir ainda mais, tendo em vista que o Mythos Grego tinha uma força muito especial na Cultura de então. (para saber mais sobre mythos leia Do mito à Filosofia...). Portanto vamos a Alegoria da Caverna! Mas antes recordemos um pouco quem foi Platão.

Platão viveu em Atenas (427-347 a.C), era de família Nobre, seu nome verdadeiro era Arístocles, mas seus “ombros largos” deram-lhe o apelido que tem o Significado da palavra “Platão”. Ele foi discípulo de Sócrates (considerado por Platão, e por outros, como o homem mais sábio e justo de então). Platão fundou a famosa Academia uma espécie de universidade pioneira dedicada à pesquisa científica e filosófica e um centro de formação política. Desenvolve a Teoria das Idéias onde menciona que o processo do conhecimento se desenvolve por meio da passagem progressiva do Mundo das Sombras e Aparências para o Mundo das Idéias e essências.

Para Platão, somente os filósofos, amantes da verdade, teriam condições de libertar-se da Caverna das ilusões e atingir o mundo luminoso da realidade e sabedoria.

Quando falamos dessa Alegoria podemos destacar alguns pontos que normalmente não são tão bem lembrados. Por exemplo: a questão dos Paradigmas e a questão do “conhecimento”. (veremos isso mais à frente)

Podemos dividir e entender esta alegoria da Caverna em três etapas:

1.1. - o ambiente, o local e a situação em que se encontram as pessoas.
1.2. – a libertação dolorosa e a saída também dolorosa da caverna.
1.3. – o retorno à caverna - a educação - o desejo de repassar o conhecimento deslumbrado.

Outros pontos que podem ser lembrados: o prisioneiro que escapa pode ser Sócrates; quando ele retorna e tenta libertar os outros presos, demonstra o que deve fazer um bom político, um bom governante, ou um bom educador como queiram. Todos esses sentidos estão subjacentes no diálogo.

Vamos agora ler Platão através de seu texto adaptado e narrado por Marilena Chaui. Depois faremos novas considerações.


A Alegoria da Caverna

Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior.

A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ela e os prisioneiros - no exterior, portanto - há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas.

Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.

Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam, porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda luminosidade possível é a que reina na caverna.

Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria.

Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade.

Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.

Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo. Mas, quem sabe, alguns poderiam ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidisse sair da caverna rumo à realidade.


Algumas considerações da Marilena Chaui

O que é a caverna? O mundo em que vivemos. Que são as sombras das estatuetas? As coisas materiais e sensoriais que percebemos. Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? O filósofo. O que é a luz exterior do sol? A luz da verdade. O que é o mundo exterior? O mundo das idéias verdadeiras ou da verdadeira realidade. Qual o instrumento que liberta o filósofo e com o qual ele deseja libertar os outros prisioneiros? A dialética. O que é a visão do mundo real iluminado? A Filosofia. Por que os prisioneiros zombam, espancam e matam o filósofo (Platão está se referindo a condenação de Sócrates à morte pela assembléia ateniense) (?) Porque imaginam que o mundo sensível é o mundo real e o único verdadeiro.

Bem, amigo leitor, podemos perceber claramente que a Caverna é o mundo como nós o vemos, muitas vezes com nossos pré-conceitos, paradigmas e dogmatismos, “conhecemos” apenas a “nossa caverna” e achamos que tudo e o todo está contido ali. Imagine um homem de uma tribo no meio da Floresta amazônica que nunca saiu de lá de sua tribo, nunca viu nem assistiu uma Televisão (aliás ele não perdeu nada por isso, muito pelo contrário...) ele só conhece o seu mundo a sua caverna. Nós somos assim quando através de “achismos” e crendices mirabolantes que nos são passadas, acreditamos ser os donos da verdade, e não ouvimos nada e mais ninguém.

Outro paralelo interessante à Alegoria da Caverna é o próprio exemplo da televisão, imagine pessoas que vivem só encarando uma televisão com suas “informações”, novelas e programas de auditório etc. Essa é uma Caverna. É preciso “abrir a mente”, pensar, refletir, questionar, enfim Estudar Filosofia! Não podemos ver sem refletir, não sejamos como os presos da Caverna de Platão, que quando apareceu um “libertador” quiseram o matar.


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links Relacionados:

Texto completo da Alegoria da Caverna

Do mito à Filosofia...

A Indústria Cultural...


Bibliografia

CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. 13.ed. São Paulo: Ática, 2005.

PLATÃO, A república. São Paulo: Martin Claret, 2007.


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O que é Páscoa, qual a origem da Páscoa?



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Este Artigo eu já havia publicado há alguns anos atrás, hoje faço uma nova edição e o republico incluindo alguns pontos que foram questionados ou levantados pelos leitores da edição anterior, e complemento com outros dados. Esteja à vontade para comentar, questionar ou completar algo mais...

Começamos com o Carnaval, depois vem a 4º feira de Cinzas, em seguida inicia-se a Quaresma, vem a Semana Santa e por fim o triunfo do Cristianismo: a Páscoa! Mas há uma história aí... e algumas perguntas surgem:

O que é Quaresma?
A Quaresma são os 40 dias que antecedem ao Domingo de Ramos (início da Semana Santa) que triunfa no Domingo da Páscoa Cristã. A Quaresma começa na 4º feira de cinzas logo após o carnaval.

O que é Semana Santa?
A Semana Santa é aquela semana que os Cristãos relembram a entrada, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo em Jerusalém, ele teria entrado em um domingo que precede a 6º feira que ele fora Crucificado (6º feira Santa) Alguns Cristãos relembram a reverência que foi dada ao mestre Jesus através de uma saudação com Ramos e folhas de Palmeiras lá em Jerusalém quando Jesus entrou na Cidade. É o chamado Domingo de Ramos, as pessoas vão à missa e levam para suas casas um pedaço de ramo como lembrança.
Vamos então a pergunta principal deste artigo...

O que é Páscoa, quando surgiu a páscoa? Ou seja: Qual a origem da Páscoa?
Antes de tudo faço um pequeno parêntese para falar da etimologia da palavra “Páscoa” que vem do aramaico pasha, ou pelo hebraico pesach, de significado discutível: para uns, deriva do hebraico pasah (saltar, pular, “Passagem”), originalmente referente a uma dança ritual; para outros, significa a passagem do sol por seu ponto mais alto numa certa constelação. No livro do Êxodo (Ex 12:13-22) a palavra relaciona-se à noite em que Iavé feriu os primogênitos do Egito e poupou (ou "saltou") as casas de israelitas, cujas travessas das portas estavam pintadas com o sangue do cordeiro pascal. (posteriormente esse cordeiro – imolado a Deus - deixa de ser um animal e passa a ser o próprio Jesus Cristo o cordeiro imolado a Deus, pelos pecados da humanidade).
Feito esse parêntese é interessante lembrar que muitos de nós ficamos felizes com a Semana Santa, com a Páscoa, momentos de nos confraternizar, nos alegrar, de dar e receber Ovos de Páscoa... Mas porquê isso? Bem, para quem ao menos gosta da História, dos símbolos e da essência dos fatos e atos ocorridos, vale continuar a leitura...
Já há alguns milênios (3,5) os Judeus já comemoravam a Páscoa. Mas como? Jesus Cristo não havia nem mesmo nascido! É verdade. No início, as comemorações da “Páscoa” já eram nesta época do ano: Março ou Abril (primavera no hemisfério norte) inicialmente era para comemorar as colheitas. Era, portanto, a festa das colheitas. A alegria de festejar e “bebemorar” com o sucesso de um período trabalhado e seus frutos (na verdade a festa da colheita era 50 dias após a páscoa). (1)

Muito bem! Mas os Pais religiosos dos Cristãos, os Judeus, foram escravizados no Egito (Império naquela época). Permaneceram como escravos muitos anos... Até que, com ajuda de Deus, conseguiram sair da escravidão e voltar à terra prometida e foi o que ocorreu por coincidência ou projeto Divino também nesta mesma época da Páscoa e, assim, então, a comemoração mais importante dos Judeus passou a ser a da Passagem (Páscoa), do Êxodo, da libertação da terra do Egito.

E agora onde está a Páscoa Cristã? A nossa Páscoa (passagem), que é, sem dúvida, a maior Festa e a maior comemoração de todas as festas Cristãs, ocorre exatamente neste mesmo período do ano, pois mais uma vez por coincidência ou projeto Divino, se passa também nesta época.

O Verbo (eterno) que é a palavra, se fez carne e veio habitar entre nós e após um pequeno período aqui na terra (3 anos) nos mostrou que nós também somos eternos, pois o que vivemos é uma Páscoa, ou seja, uma PASSAGEM! Assim sendo, Jesus o Cristo nos mostrou que aqui é apenas um local de passagem e acima de tudo é um lugar de Aprendizagem. Portanto o mais importante não é o que construímos materialmente, mas, sim, o que construímos espiritualmente. Jesus, após ser crucificado e morto, na época da festa da Páscoa judaica, pois ele havia ido até Jerusalém para as comemorações judaicas do êxodo (ele também era Judeu), Ressuscita no 3º dia e aparece aos seus discípulos algumas vezes.

Portanto, os “Cristãos”, comemoram esta época do ano como a maior de todas as festas, assim, ela é mais importante que o próprio Natal (“Nascimento de Jesus”). O Calendário Gregoriano conta os anos desde o nascimento de Cristo, mas na verdade a contagem mais “importante”, e que devem totalizar uns 1975 anos de comemorações, é a Páscoa Cristã.

É bom lembrar que toda missa de domingo ou alguns cultos é a celebração da Páscoa Cristã e nela é relembrado este sacrifício de Cristo, sua morte e ressurreição. O Domingo é Santo pois foi o dia em que Jesus Ressuscitou!

E o que significam os símbolos da páscoa?
Para quê os Ovos de Páscoa, e o Coelho de Páscoa...? Mais engraçado ainda é a musica: “coelhinho da páscoa o que troces p’ra mim, um ovo”... (coelho não bota Ovo!...) De qualquer maneira o raciocínio é sempre lógico como também às vezes é a Fé! Como para os Cristãos a verdadeira Vida é a Vida após esta Páscoa (Passagem) assim temos que comemorar essa nova Vida! E o que é melhor para simbolizar a vida do que o Ovo?! E o Coelho.. é lógico! Como o bichinho procria, não é mesmo? Bem, devemos lembrar também que os fatos e símbolos foram incididos em um outro mundo - o chamado mundo velho (berço da humanidade) - e com Suas Culturas, portanto também é importante lembrar que tudo em História se deve Contemporizar.

Na realidade esses símbolos que o Cristianismo “toma como seus”, eram símbolos pagãos. O Ovo para os egípcios, hindus, chineses, entre outros povos milenares era e é um símbolo da Vida, e até mesmo da Origem da Vida de alguns deuses e do próprio Universo (eles eram e muitos ainda são politeístas). O Coelho representa também a fecundidade, a fertilidade, a vida! Também se sabe que o Coelho simbolizava a Lua. A data da Festa da páscoa é definida pela lua, e é após a 1ª Lua cheia depois do início da Primavera no hemisfério norte e do outono no hemisfério sul; esse é o Domingo de Páscoa! Ocorre portanto próximo a um equinócio.

De qualquer forma o que importa é o coração e a mente do Cristão, entender esses símbolos deve ser acima de tudo um “saber” de como a História sempre será contada pelo “vencedor”! Esse fato de nós do mundo ocidental incorporarmos símbolos e representações pagãs à nossa Fé, ocorre em outras ocasiões como a própria data do nascimento de Jesus Cristo que, por não se saber qual é a data correta, se definiu, ou melhor permutou-se uma outra data pagã a “Festa do Sol” tornou-se o Natal (nascimento de Jesus) e nós nem nos lembramos disso... O Vencedor faz com que sejam esquecidas (ofuscadas) as outras datas e simbolismos antigos.

Concluindo...
O mais importante é que a Passagem (ou pulo) por esta Terra, por este Planeta, é o que temos consciência neste momento, quanto ao futuro temos a Esperança. Páscoa, portanto, é a passagem, mas não só a passagem desta vida para outra, contudo de toda a passagem por esta Vida, com todos os seus anos de Conhecimentos, Aprendizagens, Vivências e Experiências. Assim, a Páscoa é, em suma, a comemoração da VIDA! E Pela Vida!...

Feliz Páscoa para Você!
Abraços do
Benito Pepe, visite meu novo site clique Aqui!

Outro link relacionado e Interessante:
O que é carnaval, qual é a origem do Carnaval? ....

Nota:
(1) Os cinqüenta (50) dias após a Páscoa Cristã, se referem ao Pentecostes que foi quando Jesus Cristo deixa o Espírito Santo aos Apóstolos. Mas anteriormente na época precedente aos próprios Israelitas as "festas" eram distintas: Páscoa e Ázimos. O Ázimo era uma festa agrícola que começou a ser celebrada somente em Canaã e só foi unida à festa da Páscoa posteriormente.
Mais detalhes vide Textos e Notas de Rodapé da Bíblia de Jerusalém (edições Paulinas).

Bibliografia
BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Edições Paulinas.
Enciclopédia Barsa Planeta Internacional.

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O que é Big Brother, quem é o Big Brother e como surgiu o Big Brother?




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Comecemos com algumas perguntas: Como surgiu a idéia do Big Brother?; O que é Big Brother?; Qual é o propósito do Big Brother? Quem é o Big Brother? Todos esses questionamentos nos geram outras reflexões, entre elas: isso é “Só” um Reality Show?

Vamos começar falando da origem do Big Brother nos Estados unidos, mas antes precisamos esclarecer um pouquinho alguns pontos. Um deles é o termo Industria Cultural, de maneira geral, poderíamos dizer que é uma indústria como “qualquer outra”, por exemplo a indústria têxtil; a indústria automobilística; etc. Como qualquer Indústria, precisa produzir algo para sobreviver. E é portanto o caso da Industria Cultural, que é formada principalmente pela Rádio e pela Televisão, além de Revistas, Jornais, Cinema, etc.

Como disse os principais produtores e próprios veículos da Indústria Cultura são as Rádios e a Televisão. A TV com muito mais força evidentemente por atingir uma massa, não só através do Som, como pela Imagem que dá muito mais Poder à Indústria Cultural.

A Televisão precisa produzir Telenovelas, seriados, programas de auditório, telejornais, entretenimentos, etc. Um dos problemas é que tais produtos muitas vezes se confundem. Confundi-se Realidade com Ficção.

Outro ponto que não pode de maneira nenhuma ser esquecido é saber quem Paga para esses programas estarem no ar... Seja uma novela, seriado, ou mesmo telejornais e noticiários... Podemos dar alguns exemplos hipotéticos. Imaginemos que uma indústria tabagistas esteja patrocinando uma Novela (coisa que não ocorre mais no Brasil), eu pergunto ao amigo leitor, não seria interessante que nessa novela se “mostrasse” pessoas fumando com certa freqüência e em momentos especiais? Bem, damos outro exemplo: e se fosse uma empresa que tivesse grande participação no governo de um certo Estado do país, e essa empresa fosse patrocinadora de um programa jornalístico onde estivesse sendo debatido um tema contra tal Estado, de maneira que prejudicasse a imagem dessa empresa. Será que os patrocinadores não interviriam?

Esses foram apenas alguns pontos que acho importantes para entrarmos propriamente no tema principal: Big Brother.

O “Reality Show” esteve em moda em quase todo o Mundo Ocidental. Como surgiu a idéia do primeiro Reality Show?

Que a televisão tem um poder de convencimento muitas vezes inimaginável e não percebido por muitos dos telespectadores é óbvio para alguns que analisam e pensam um pouquinho. Para retratar esse fato o cinema produziu alguns filmes. São eles: Rede de Intrigas, Mera Coincidência, e O Show de Truman. Este último se você ainda não assistiu recomendo que o faça, foi daí que surgiu a idéia do Reality Show (“Big Brother” no Brasil), se possível assista aos outros também.

O Show de Truman faz um jogo de palavras em Inglês com “True” (Verdadeiro) e “Man” (Homem); a palavra “Show” sabemos que significa Espetáculo, então Show de Truman quer dizer: “Espetáculo do Homem Verdadeiro”. Este filme mostra um jovem chamado “Truman” que desde que nasceu foi entregue a um programa de televisão que se chama, “Truman Show” que é transmitido ao vivo por longos anos ininterruptamente. Esse menino cresceu e viveu toda a sua vida sem saber que estava em um programa de televisão e que as demais pessoas que conviviam com ele eram apenas coadjuvantes, estas sim sabedoras do programa, mas Truman não sabia de nada...

Um dia Truman descobre a Verdade e tem que tomar uma decisão: sair do programa ou permanecer no show. É obvio que o rapaz decide sair. Agora, a maior questão de reflexão não está com o garoto, mas no público que assiste em sua casa e que se encontra confuso com toda essa situação, não entendendo o que é realidade (verdade) e o que é ficção (mentira). O rapaz consegue saber que estava em uma mentira (após descobrir o fato), entretanto os telespectadores não distinguem mais o que é verdade e o que é falso (mentira).

Isso ocorre também nos noticiários, nos programas jornalísticos, programas de auditórios e nas telenovelas, entre outros produtos televisivos.

O Filme “Show de Truman” foi o embrião imaginário para um programa norte americano que passou a ser copiado no Brasil através de dois programas, o mais famoso e que mantém os direitos de exclusividade é o “Big Brother Brasil” transmitido pela Rede Globo. O outro foi a “Casa dos Artistas” que fora transmitido pelo SBT.

Mas, então, o que significa Big Brother ou Grande Irmão (Irmão mais velho)?

O termo nasce dentro de um Romance, escrito por George Orwell em 1948 como se estivesse no “futuro” em 1984 (“1984”, se torna o título do Livro) descreve uma sociedade totalitária na qual todos são vigiados permanentemente por câmeras de televisão. Um dos personagens chama-se Grande Irmão ou em inglês: Big Brother.

Quem infringisse alguma lei ou regra era torturado e eliminado (seria uma espécie de paredão?). Bem, no caso desse livro as pessoas não conviviam umas com as outras e sentiam a necessidade natural de se comunicar. Para isso se dirigiam a uma tela de televisão e ouviam o Grande Irmão (Big Brother), que os vigiava e falava com eles. Na verdade aquele não era o Pedro Bial, simpático e amigável que temos na Tela através da Rede Globo; era um “Irmão mais velho” que estava ali só para dar ordens.

Existia também na narrativa do Livro, “1984”, um “Ministério da Verdade” com o objetivo de produzir mentiras, trocando os fatos verdadeiros, ou seja, “mostrando” a “verdade” distorcida ou mudando os sentidos das palavras (“novilínguas”).

Este livro tem como objetivo mostrar o que uma Sociedade de Controle pode fazer com corpos e mentes: controlá-los, através de sistemas de vigilâncias em sociedades totalitárias.

É claro que este objetivo nobre, mostrar o que se passa em uma sociedade de controle, pode ser observado claramente na leitura do livro, mas não podemos falar o mesmo dos programas de televisão que foram e Vão ao ar pelo Mundo Ocidental. Nestes a “massa” que os assistem percebem um programa de entretenimento e diversão. É bom lembrarmos que na Indústria Cultural, “deve” ser assim... tornar dócil e infantilizado um “publico” que, como crianças ao receber balas, se calam...

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O que é Carnaval, qual é a origem do Carnaval?



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Há muita controvérsia quando se fala em carnaval, dizem haver apologias obscuras e de origem pagã, outros só vêem uma festa como outra qualquer. Bem, vamos discorrer um pouco sobre este tema historicamente até os dias de hoje; o que é Carnaval e qual é a origem do Carnaval?

O carnaval é uma das festas mais populares do Brasil para não se dizer a maior de todas. Ocorrem diversas manifestações por todo o país com características particulares. Na Bahia por exemplo há os famosos, e agora internacionais, “Trio-elétricos”. Em Pernambuco e região o “Frevo”. No Rio de Janeiro ocorre o conhecido internacionalmente desfile das escolas de Samba apresentando o maior show do mundo. E essa festa não ocorre só no Brasil mas em diversos países.
O momento mais forte são os 3 dias que precedem a quaresma (quarenta dias antes da Páscoa) que inicia na 4º feira de cinzas. Nesse momento o povo se vale da etimologia da palavra, carnevale, que pode significar que a carne vale naquele momento, ou seja, não precisa se abster da carne pois a quaresma começa na 4º feira de cinzas aí sim se deve abster da carne e dos prazeres da carne durante o período que antecede à Páscoa.

No Verbete “Carnaval” na Enciclopédia Barsa se lê:

Não se sabe ao certo qual a origem da palavra carnaval. Na opinião de Antenor Nascentes, se aplicava originariamente à terça-feira gorda, a partir de quando a Igreja Católica proibia o consumo de carne. Outros etimólogos propõem como origem o baixo latim carnelevamen, modificado mais tarde em carne, vale! que significa "adeus, carne!" Carnelevamen pode ser interpretado como carnis levamen, "prazer da carne", antes das tristezas e continências que marcam o período da Quaresma.

Nem sempre foram aceitas as festividades carnavalescas pela Igreja Católica e muito menos por outras congregações religiosas cristãs. As atitudes desregradas e as apologias não são aceitas pelo cristianismo e em particular pela Igreja Católica e ainda causam litígios constantes na “passarela do samba” nos desfiles das “escolas” por causa de situações que deixam conflitos entre ambos. Apesar de tudo há uma certa tolerância por parte da Igreja, e é ela própria que define a data para o inicio da quaresma e portanto para o carnaval ou carne vale antes da quaresma. Esta festa do carnaval acaba em penitência, na tristeza das cinzas.

Onde surgiu o carnaval?

Sua origem na verdade é obscura, acreditá-se que tinha relação religiosa em honra ao ressurgimento da primavera (hemisfério norte). E mais provavelmente e historicamente mais recentemente teve seu apoio em celebrações de caráter orgíaco a exemplo das bacanais e das saturnais romanas. Portanto sua origem recente é pagã.

Como disse,

A origem do carnaval é também objeto de controvérsia, mas tem sido freqüentemente atribuída à sobrevivência e evolução do culto de Ísis, das bacanais, lupercais e saturnais romanas, das festas em homenagem a Dioniso, na Grécia, e até mesmo das festas dos inocentes e dos doidos, na Idade Média. Por sucessivos processos de deformação e abrandamento, essas festas teriam dado origem aos carnavais dos tempos modernos, como os que se realizam em Nice, Paris, Roma, Veneza, Nápoles, Florença, Munique e Colônia. Independentemente de sua origem, é certo que o carnaval já existia na antiguidade clássica e até mesmo na pré-clássica, com danças ruidosas, máscaras e a licenciosidade que se conservam até a época contemporânea. (Enciclopédia Barsa)

O Carnaval na Época do Renascimento e tempos modernos

Na modernidade o carnaval perde suas características originais e deixa de ser uma festa com outros propósitos a não ser o da diversão. (vide no final deste texto que algo parecido ocorre com a data do Natal – 25 de dezembro)

Introduzido pelo papa Paulo II, o baile de máscaras começou a fazer sucesso nos séculos XV e XVI, na Itália e também na França, onde sobreviveu durante a revolução francesa e depois dela, com um período de renascimento entre 1830 e 1850. Ainda no século XIX, em Londres, ficou famoso o baile promovido pelo Instituto Real de Pintores e Aquarelistas em 1884, quando os artistas ingleses se fantasiaram com máscaras dos mestres do passado ou de príncipes e monarcas amigos.

O carnaval transformou-se, assim, numa celebração ordeira de caráter artístico, com bailes e desfiles alegóricos, forma que iria aos poucos desaparecer na Europa, entre o final do século XIX e início do século XX. Essas características, no entanto, sobreviveram em carnavais de algumas cidades européias, entre as quais Munique e Nice.

Como vemos o Carnaval teve uma origem paga, mas com o passar do tempo foi adquirindo outros propósitos e hoje a grande maioria dos foliões só vêem no Carnaval uma festa popular para brincar, pular e se divertir.

O Carnaval no Brasil

O entrudo português constituiu, no Brasil colonial e monárquico, a forma mais comum de brincar o carnaval. Consistia num folguedo violento: eram atiradas sobre as pessoas água, farinha, cal e outras substâncias que molhavam e sujavam o transeunte. Proibido no Rio de Janeiro pelo prefeito Pereira Passos, em 1904, e alvo de protestos na imprensa, o entrudo civilizou-se progressivamente até o aparecimento de outros instrumentos de brincadeiras: o confete, a serpentina e o lança-perfume.

O Carnaval Carioca

O Zé-Pereira (tocador de bombo) marcou época nos antigos carnavais do Rio de Janeiro. O sapateiro português José Nogueira de Azevedo teria sido o introdutor, em 1846, do hábito de animar a folia carnavalesca com zabumbas e tambores, percutidos em passeata pelas ruas. Meio século mais tarde, o ator Francisco Correia Vasques encenou uma paródia de Les Pompiers de Nanterre (Os bombeiros de Nanterre), na qual cantou a quadrinha que celebrizou o já consagrado personagem carnavalesco: "E viva o Zé-Pereira / Pois que a ninguém faz mal / Viva a bebedeira / Nos dias de carnaval."

Sociedades carnavalescas

O carnaval como em qualquer outra atividade popular há e houve organizações com objetivos mais nobres.

As grandes sociedades que apareceram na segunda metade do século XIX não se limitavam aos desfiles carnavalescos. Seu prestígio se apoiava também em atividades sociais e políticas. Os integrantes das sociedades eram cidadãos participantes da vida nacional, abolicionistas e republicanos, e os grandes clubes funcionavam também como sociedades literárias e musicais. Nos chamados carros de crítica, tomavam posição contra abusos e erros das autoridades ou a propósito de questões em que a coletividade estivesse empenhada.

Escolas de samba

Algo “parecido” com as sociedades carnavalescas ocorrem em algumas escolas de samba do Rio de Janeiro, é o caso de escolas que promovem assistências sócias, curso para a comunidade, e tantas outras atividades sociais em suas quadras. Também há escolas que promovem bons enredos com ensinamento histórico relevante, é feito um bom trabalho de pesquisas e é apresentado ao público um show inesquecível de cultura e maravilhas. Como disse “Joãozinho trinta” famoso carnavalesco do Rio de Janeiro a alegria é uma das maiores energias que o homem já conheceu. Em suas próprias palavras:

...depois da energia elétrica, que pôde fazer a revolução industrial, o que fez, depois da energia atômica, que pode fazer tudo, mas, também, acabar com tudo, eu acredito que a energia mais importante é a sua Vida - eu falo por experiência, com convicção -, que a mais importante energia da vida se chama alegria. A alegria é capaz de dinamizar, de energizar, a vida em todas as suas nuances. (1)

Lembrando um pouco as origens das escolas de samba no Rio de Janeiro...

A Deixa Falar, do bairro do Estácio, que reunia os sambistas Nilton Bastos, Ismael Silva e Alcebíades Barcelos (Bide), foi a primeira escola de samba do Rio de Janeiro, fundada em 1928. A praça Onze foi eleita pelos sambistas para as concentrações nos domingos e terças-feiras de carnaval. Logo se multiplicaram as agremiações, algumas das quais desapareceram com pouco tempo de existência e outras prosperaram, como a Estação Primeira, do morro da Mangueira; a Vai Como Pode, futura Portela, do bairro de Madureira, e outras.

Considerações finais e uma piadinha Cristã

O fato é que hoje as pessoas que brincam nas ruas, vão para os blocos de carnaval, para clubes com seus filhos, vão à Passarela do Samba assistir aos desfiles das suas “escolas” e tantas outras festividades; essas pessoas não têm nenhuma idéia da origem e da história do Carnaval, o que elas querem é brincar e se divertir. Não entendo porque ainda há pessoas que dizem que o Carnaval é a festa do diabo, aliás uma vez eu estava em um retiro espiritual no período carnavalesco e o padre contou a seguinte piada:

Um senhor disse para outro - dizem que o inferno é igual ao carnaval a carne vale, podemos fazer o que queremos, prazeres carnais à vontade, mulheres, musica, bebidas à vontade etc. Se o inferno é assim eu quero ir para lá. Então esse senhor morreu e foi para o inferno, ao chegar lá o calor era tanto que ele ardia em brasas, era um calor infernal (claro estava no inferno). Bem o fato é que ele foi conversar com o capeta chefe. – olha meu “amigo”, me disseram que o inferno era igual ao carnaval e agora estou eu aqui nesse lugar muito diferente do “samba” que vivia no meu país, o que está havendo? O chefe do calorento recinto disse: meu camarada aquele era apenas o departamento de marketing do inferno...

Uma Observação final!

Não esqueçamos que o dia de Natal, 25 de dezembro, também teve nessa data uma outra origem pagã, era a festa do Sol o início do inverno no hemisfério norte. Por exemplo em Roma, o Solstício do Inverno também era celebrado muitos séculos antes do nascimento de Jesus. Os Romanos o chamavam de Saturnálias (Férias de Inverno), em homenagem a Saturno, o Deus da Agricultura, que permitia o descanso da terra durante o inverno.

Em 274 o Imperador Aureliano proclamou o dia 25 de dezembro, como "Dies Natalis Invicti Solis" (O Dia do Nascimento do Sol Inconquistável). O Sol passou a ser venerado. Buscava-se o seu calor que ficava no espaço muito acima do frio do inverno na Terra. O início do inverno passou a ser festejado como o dia do Deus Sol.

Só em 350 e por decreto do papa Júlio I que o nascimento de Cristo passou a ser comemorado no dia 25 de Dezembro, substituindo a veneração ao Deus Sol pela adoração ao Salvador Jesus Cristo. O nascimento de Cristo passou a ser comemorado no Solstício do Inverno em substituição às festividades do Dia do Nascimento do Sol Inconquistável.

E não por isso deixamos de comemorar esta data como se fosse a do nascimento de Cristo, por não sabermos qual é data real, modificamos uma outra “festa paga” para nossos propósitos cristãos, e quem é que se lembra disso?

Bem, acho que o que mais interessa é o coração da pessoa, a onde ele está, e qual é o seu propósito. Aliás há cristãos até dentro de igrejas com propósitos menos nobres do que alguns carnavalescos.

Bom Carne vale,
Abraços do
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Outros Links Interessantes:
O que é Páscoa, qual a origem da Páscoa?

Nota:
(1) “Joãozinho trinta” - João Clemente Jorge Trinta - em entrevista para “Brasília em Dia”

Bibliografia
Barsa Planeta Internacional Ltda.
Enciclopédia Mirador

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A origem do Universo e da Vida (há vida só aqui na Terra?)



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Quando falamos em Universo e Vida vem à nossa mente de forma inevitável a pergunta: Estamos sozinhos no Universo ou há vida em outros lugares além do Planeta Terra?

Vou colocar para reflexão inicial uma frase de Carl Sagan: - "Às vezes acredito que há vida em outros planetas às vezes eu acredito que não. Em qualquer dos casos, a conclusão é assombrosa." Em outras palavras: Da mesma maneira é fascinante, pensarmos que estamos sozinhos neste universo ou pensar que haja outras vidas em outros planetas ou “corpos” celestes no cosmos...

Amigo leitor só há essas duas possibilidades estamos sozinhos no cosmos e isso seria um “desperdício de espaço” incrível, ou estamos acompanhados. Não é realmente fascinante qualquer que seja a situação?

Bem, vamos começar. Primeiramente temos que entender o que é Universo e o que é Vida.
O que você acha que é o Universo? O que você pensa que é Vida?

Universo é tudo o que existe (ponto). É isso mesmo, para que não haja dúvida e falem em Universos paralelos, outras dimensões etc. Portanto tudo o que houver é o Universo.

Para se falar em o que é “Vida” já é mais complicado, no entanto podemos dar algumas características pelo que a ciência conhece nos dias de hoje sobre o que seja vida: em princípio “toda vida tem que ter células”, aliás a célula bacteriana foi provavelmente a primeira forma de vida no Planeta, daí teríamos tido uma evolução e diversas outras formas de vida foram surgindo saindo inicialmente do Mar. Esse é um fato aceito pela maioria dos estudiosos da origem da Vida.

É fato também que a vida é uma soma de outras vidas, como sabemos nosso organismo é composto por células. Interessante também é lembrarmos que muitos dos seres vivos animais devoram outros seres vivos para Viver, e é o nosso caso: nos alimentamos de outros animais.

Entretanto, filosoficamente falando, com relação ao homem abrimos um outro ponto: o homem é um ser diferente, pois é um ser que pensa o Ser. É um ser que pensa a existência, pensa a vida, pensa a morte, pensa o cosmos. Essa é sem dúvida uma experiência que poucos seres no universo têm, ou seremos só nós? Ao menos no Planeta terra, somos só nós.

Desenvolvemos: “Conhecimento Vulgar”, Cultura, Religião, Filosofia, Ciência. E com o desenvolvimento de nossa capacidade de emitir sons, falar, através de um canal de nosso aparelho digestivo: a boca; pudemos desde tempos remotos transmitir “conhecimentos”; depois desenvolvemos a Escrita Cuneiforme (4000 a.C) o alfabeto (+ ou – 1000 a.C) e assim passamos a disponibilizar de maneira “eterna” nossos “conhecimentos” para todas as gerações; desenvolvemos a imprensa com Gutenberg (séc XV) e assim multiplicamos os leitores; e por fim agora com a Internet distribuímos o “conhecimento” de uma maneira inimaginável até então.

Voltemos ao tema: Vida! Não podemos determinar claramente o que é vida. Há grupos místicos ou religiosos que afirmam que a vida está em tudo.... não podemos esquecer o transcendente ainda que filosoficamente. Devemos ter grande respeito ao que nos transcende: o Universo nossa origem cósmica (somos poeiras das estrelas). A terra, muito menos ela, pode ser desprezada. Somos parte da natureza quanto a isso não há dúvida, temos em nosso organismo vários dos componentes contidos no planeta Terra: Oxigênio (65%), Carbono (18,5 %), Hidrogênio (9,5%), Nitrogênio (3,2%), e tantos outros metais encontrados na natureza.

Por que somos poeira das estrelas? Bem, o fato é que sabemos que nebulosas formam estrelas e as “poeiras” que darão origem àquela estrela podem ter sido já o resíduo (a poeira) de outras estrelas. Cada estrela que “morre” deixa elementos mais pesados que a anterior, cada nova geração tem portanto as condições e quantidades maiores de elementos químicos que podem possibilitar a Vida. O nosso Sol por exemplo é de terceira geração ou seja morreram antes dele surgir duas gerações de estrelas que deixaram elementos químicos mais pesados uma para as outras e que possibilitaram a vida nesse resíduo de “poeira” que desenvolveu a nossa Estrela, o Sol e o Planeta Terra.

Como diz Andreeta:

Sabemos que tudo o que existe no nosso universo (e também nós mesmos) é constituído de minúsculas partículas de matéria e de energia, e que forças naturais atuam sobre essas partículas, aglomerando-as para formar tudo o que existe. Porém, hoje não existe mais distinção entre matéria e energia. Segundo Einstein, matéria e energia são dois estados diferentes de uma mesma “substancia quântica universal”. Os conhecimentos científicos atuais parecem, portanto, convergir com os da filosofia antiga, que afirmam que tudo o que existe deve provir de uma única fonte. (2004, p.9).

Há um ponto que precisamos refletir quanto a nossa origem e quanto à natureza e o nosso esquecimento de imanência (pertencimento) a ela. Para corroborar com esse pensamento cito um trecho que menciono no tópico: A Astronomia e o Esquecimento do Céu, também postado por mim. Brockelman diz:

O que perdemos, portanto, foi a habilidade de ver nossa vida como parte de uma ordem e uma realidade mais amplas, para além de nossos transitórios desejos e sonhos diários. Ao ver a natureza e todo o universo como uma “matéria” posta aqui para nossa transformação e uso infinitamente produtivos, reduzimos a realidade a um mero valor extrínseco para nós; ela não é mais vivenciada como intrinsecamente valiosa em si. Por conseqüência, perdemos todo senso de pertencer a um drama e a uma realidade mais vastos e significativos. (2001, p.23)

Quanto a essa questão da origem do universo e/ou da vida, há diversos “grupos” espalhados pelo planeta que em épocas distintas da história da humanidade tiveram e têm seus próprios “mitos” de criação (quando falo em mito refiro-me a palavra grega mythos, que tem um sentido muito mais amplo). Vide o nosso exemplo do mundo ocidental com origem Judaico-Greco-Romana-Cristã. Não vamos entrar nesse ponto, até porque este não é um artigo religioso, mas quero lembrar que são inúmeros estes relatos da origem do Universo e da Vida. Mas, no mínimo, devemos respeitar os nossos antepassados e as idéias quanto ao Criacionismo.

Falando “cientificamente” temos em uma Linha do Tempo da Criação:

No “inicio” era a Singularidade infinita (um ponto - há 13,7 bilhões de anos atrás);

Nos primeiros micro-segundos as forças gravitacionais e nucleares se separam;

Entre 1 e 3 minutos a Matéria surge em partículas, juntamente com o hélio e o hidrogênio;

300.000 anos depois: hidrogênio e hélio formam nuvens encaroçadas;

Entre e 1 e 5 bilhões de anos: forma-se cerca de 50 bilhões de galáxias;

8 bilhões de anos depois surge o Sol e os planetas do sistema solar;

Alguns bilhões de anos depois surge a Vida na Terra, no inicio apenas formas microscópicas;

Entre 3 e 4 bilhões de anos atrás: DNA, fotossíntese, e regeneração sexual;

Há 700 milhões de anos surgem as criaturas multicelulares no oceano;

Há 550 milhões de anos os primeiros moluscos de concha aparecem, também novas formas de vida marinha como peixes e animais mamíferos surgirão daí;

400 milhões de anos, a vida emerge do oceano;

Há 235 milhões de anos, aparecem os dinossauros; [há 65 milhões de anos são extintos os dinossauros que viveram aqui durante 170 milhões de anos – nós só estamos aqui há 2 milhões.].

Há 216 milhões de anos, aparecem os primeiros mamíferos;

210 milhões de anos atrás, ocorre a ruptura da pangéia e formação de continentes;

2,8 milhões de anos surgem os primeiros humanos: Homo habilis.

1 milhão de anos – o Homo erectus.

Entre 200 e 300.000 anos atrás – Arcaico Homo sapiens.

Hoje “a ciência vê o Todo na nova cosmologia”.

Em se falando em “ver o Todo”, não poderíamos deixar de mencionar a física quântica e quanto a isso cito o que diz Andreeta:

Vistos no plano atômico, todos os corpos que constituem o universo do ser humano possuem um comportamento dinâmico de troca de partículas. Os átomos que estão agregados aos corpos não são permanentes. Eles fluem constantemente através dos corpos sólidos: a pedra e o corpo físico humano compartilham os mesmos átomos. (...) Como os átomos fluem constantemente de um corpo para outro, a separação entre os corpos é, portanto, ilusória. Mesmo que o ser humano queira, não pode se isolar dela e de nada. (2004, p.20).

Bem amigo leitor, uma coisa é certa: o milagre de ser é impressionante. Apesar de nem sempre termos sido o que somos hoje, nós Somos! E no amanha... o que Seremos?

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Links relacionados com esta postagem:

A Astronomia e o Esquecimento do Céu.

A Estrada do Tempo e da Vida.

O Universo é Finito?

Do Mito à Filosofia, o Caso da Astronomia.

Considerações finais quanto ao texto “A Filosofia e a Astronomia: instancias em que o thauma aparece”


Referências Bibliográficas:

ANDREETA, José Pedro. Quem se atreve a ter certeza? : a realidade quântica e a filosofia. 1. ed. São Paulo: Mercuryo, 2004.


BROCKELMAN, Paul. Cosmologia e criação: a importância espiritual da cosmologia contemporânea. 1.ed. São Paulo: Edições Loyola, 2001.


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O que é filosofia? O que faz um filósofo? Para que estudar filosofia?



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Sentir o que é filosofia talvez seja mais fácil do que falar o que é filosofia. De qualquer maneira vamos explanar um pouco este tema.

Poderíamos dizer que filosofia é pensamento; é reflexão; é questionamento. Mas também é produção. Sim é produção a partir do momento que entendamos o que significa produção. Produção é modificar algo em outro algo (ou um ser em outro ser). Por exemplo, quando tomamos alguns insumos como: aço, borracha, plástico e outros derivados e os transformamos em um automóvel, isso é produção. Quando ampliamos um pensamento e transformamos um ser humano em um ser melhor e mais culto, isto é produção.

No entanto quando falo em produção aqui neste contexto refiro-me a produção-modificação que a filosofia “propiciou e propicia” na face do planeta terra. A modificação ocorrida no pensamento do mundo ocidental na Grécia antiga e precisamente a partir do final do século VII e início do VI a.C se deve à filosofia, e teve seu começo em Tales da colônia grega de Mileto por isso chamado Tales de Mileto. Este filósofo e outros tantos deste período da história da filosofia (filósofos da natureza) estavam insatisfeitos com as explicações que eram dadas pelos “deuses gregos” sobre os fatos ocorridos na natureza. Os fenômenos naturais deveriam ser explicados pela própria natureza e não pelos deuses, pensavam eles.

Filosofar é correr riscos, quando queremos produzir pensamentos que sejam manifestados, devemos estar abertos às críticas. Quem não expõe um pensamento, não corre risco, mas continuará dentro da sua casca de ovo (dentro da sua caverna). Não sairá para conhecer o “lado de fora” e nem possibilitará a outros que o façam.

Jean-Toussaint Desanti, prefaciando o livro: Uma história da Razão de François Châtelet escreve falando sobre Châtelet que ele...

Não guardava nada só para si, nem sua força vital, nem seu pensamento, nem seu saber. François era o homem da doação. Por isso, eu o chamo “filósofo”, no sentido primeiro da palavra. De fato, que é a filosofia, a não ser essa obstinação no dispêndio do pensamento, que reúne, exprime e oferece em partilha, dando assim, sempre e sem cessar, “algo para pensar” a quem quiser ouvir?

Jean, continua dizendo:

... a filosofia é no fundo uma atividade corporal e prática. E é preciso que assim seja, pois o filósofo só pode atingir o outro, com sua palavra, expondo-se a si mesmo como sujeito falante, sujeito visível e, em última análise, público.
Assim, ele tem que assumir os riscos dessa posição. Isso significa aceitar expor-se diante das circunstâncias e para o público em plena luz. Nada de retirar-se comodamente para o gozo altivo de um pensamento solitário.(p.7-8)

Muitas vezes é mais cômodo ficarmos dentro de nossa caverna... porém a filosofia desde seus primórdios mostra o contrário, é preciso sair, ir às praças públicas, escrever, publicar, falar... enfim é preciso pensar.

Os maiores questionamentos da humanidade são questões filosóficas. Mas há um “problema”, é que o pensamento, a filosofia pode desafiar nossas crenças mais profundas e fundamentais.

Questões como: Deus existe ou não, são crenças filosóficas. Se você acredita ou não é da mesma maneira uma questão de fé, estará fora da razão dizer sim eu creio ou não eu não creio. Outras questões não menos importantes dizem respeito ao cosmos. Como ele surgiu? Por que existimos? Por que morremos? Estas e tantas outras questões foram e são minuciosamente examinadas por filósofos, pensadores.

Nos dias de hoje questões como o aborto, direitos dos animais, direitos humanos, direitos das crianças, questões ambientais, ética nas profissões, guerras, liberdade de expressão, células tronco, etc. são todas questões de importante dimensão filosófica. “Só por isso” já teríamos um bom motivo para estudar filosofia. Pessoas que não reflitam sobre temas de tal magnitude não estão preparadas ou melhor estão em desvantagem para conviver nessa sociedade e confrontar o que é “verdadeiro”.

Os filósofos questionam fundamentos. Aliás as crianças também o fazem, todos nascemos filósofos e com o passar do tempo “esquecemos” de ser filósofos, esquecemos de perguntar, achamos que sabemos tudo, criamos fundamentos, temos crenças que nos foram ensinadas e a tomamos como uma verdade absoluta. Com nossos fundamentalismos achamos que as coisas são óbvias. Paramos de questionar.

Deveríamos nos lembrar de Sócrates quando dizia: só sei que nada sei. E por isso estava aberto ao aprendizado, ao questionamento, ao novo... ao lado de fora da caverna.

Mas o pensamento, o questionamento pode nos dar vertigem intelectual e assim o nosso chão a nossa base pode sair do lugar e com isso podemos sofrer com a perda do nosso apoio. É por isso que muitos preferem não pensar sobre tantas questões filosóficas, preferem ficar onde se sentem seguros.

A pesar de tudo, desse “sofrimento” intelectual é que os “avanços” da humanidade e o “conhecimento” científico ocorrem. E foi e é através da dúvida sobre o que muitos tomam como certo, que outros, com a mente aberta e questionadora estão prontos para a produção. Temos como exemplo Einstein no século XX que revoluciona o conhecimento da Física gravitacional com a teoria da relatividade.

No entanto não ficam só no campo da ciência esses questionamentos, temos questões morais, éticas e tantas outras que podem ser revolucionadas. Se não houvesse pessoas que não considerassem como óbvio e normal a escravidão, ela existiria até os dias de hoje. E os direitos das mulheres? Portanto caro leitor o óbvio, o “dado” pela sociedade hoje pode não ser o óbvio amanhã, pense nisso.

“A vida não examinada não merece ser vivida” (frase atribuída a Sócrates)

Os exames, os questionamentos filosóficos são feitos através da razão, mas é claro que a razão tem seus limites. Costumo questionar: a humanidade tem aproximadamente um milhão de anos e a razão como a concebemos hoje só tem 2500 anos, por que temos que pensar sempre através dessa razão? (mas esse é apenas mais um “pedaço de carvão na fogueira”) Nós podemos questionar o próprio pensamento, ou os ferramentais do pensamento, olha aonde a filosofia chegou...

Então, mesmo que a razão não possa encontrar todas as respostas, pelo menos é um dos caminhos iluminados para esse objetivo. E mesmo quando não encontra as respostas deve continuar questionando, pois pode explanar que o óbvio pode não ser óbvio.

O filme Matrix mostra um dos bons questionamentos filosóficos, para quem não assistiu eu recomendo veementemente que o faça o quanto antes, principalmente o número um da série. Ali se questiona a existência, a realidade, ou na idéia de Descartes (1596-1650), quando estamos dormindo pensamos que o nosso sonho é algo real, alguns suam, choram, gritam e chegam ao êxtase durante o sonho, quando acordam percebem que era ‘apenas’ um sonho. E será que nós não vivemos um sonho dentro de algo maior? Estaríamos dormindo e sonhando?

O Estudo da filosofia, do desenvolvimento das habilidades do pensamento por si só, ainda que não tivessem um propósito definido, já seriam suficientes para o nosso desenvolvimento em todos os campos do saber. Por exemplo: A capacidade de identificar um disparate lógico, evitar palavreado evasivo, ser relevante, expor uma idéia de maneira clara e precisa, etc. São habilidades convenientes seja qual for a sua área de atividade.

Os benefícios do estudo da filosofia têm outros propósitos nobres, ajuda-nos a imunizarmo-nos dos políticos astutos e charlatões de plantão, para fazer um trocadilho, para isso temos Platão (século IV a.C).

Além do mais e para finalizar, há também alguns estudos que demonstram que os alunos que estudam e debatem as questões filosóficas em sala de aula desenvolvem mais sua inteligência intelectual e social.

Outras considerações quanto ao tema deste artigo:

Etimologicamente falando a filosofia vem do grego e é composta por duas palavras, Philo e Sophía (ou Filo e Sofia). Filo quer dizer aquele que tem um sentimento amigável, daí a palavra filantropia. E Sofia quer dizer “sabedoria”. Portanto filosofia quer dizer aquele que tem amizade ou amor ao saber à sabedoria.

Atribui-se a Pitágoras de Samos (século V a.C) a invenção da palavra “filosofia”. Pitágoras dizia que só os deuses têm a sabedoria plena. E aos homens só é possível amar, ter amizade ao saber.

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Leia também:

Do mito, à filosofia o caso da astronomia.

A Filosofia

Referências bibliográficas:

CHÂTELET, François. Uma história da razão: entrevista com Émile Noel. 1.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994.

CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. 13.ed. São Paulo: Ática, 2005.

STEPHEN, Law, Guia ilustrado Zahar: filosofia. Rio de Janeiro, Jorge Zahar ed. 2008.


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A dúvida do milênio e de sua comemoração



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Este tópico tem relação com o que escrevi no dia 31 de dezembro,
desejando feliz ano novo aos amigos leitores. Naquele dia eu mencionei este artigo (a dúvida do milênio) e por isso eu o publico agora.
Este é um artigo escrito em 1999, na época eu não publicava nada na Internet, apenas mandava por e-mail alguns dos meus textos para os amigos. Outros textos ficavam na minha máquina, eram “apenas” anotações dos meus estudos. (Já falei dos motivos pelos quais resolvi publicar aqui).

Vejamos então as minhas anotações quanto à questão do chamado bug do milênio que se dizia na época ocorreria nos computadores na virada do ano de 1999 para 2000.

Precisamos relembrar um pouco da história e viajar no tempo. Vamos portanto a uns 10.000 anos atrás.
Naquela época o homem começou a sentir a necessidade de cultivar seus alimentos e criar animais pois a população estava crescendo muito, e as caças e os frutos colhidos para a alimentação poderiam faltar (curioso não é ?).

Bem, o fato é que com esta nova situação surgiu também a necessidade de controlar e organizar as plantações e os animais. Então como o homem poderia saber quantos animais ou frutos ele tinha? Além de outras contagens mais. Assim os nossos antepassados e "pais da confusão" fizeram o seguinte: para cada animal que saía para o pasto eles separavam uma pedrinha e quando o animal retornava, eles recolocavam a tal pedrinha correspondente àquele animal. Dessa maneira se sobrassem pedrinhas era porque faltava algum animal e se faltassem pedrinhas, era porque tinham vindo animais a mais. Assim o homem teria começado a contar.

É lógico que as quantidades foram aumentado e com isso foi necessário "criar" uma nova forma de controle . O homem sempre usou o que ele tinha à mão e o que mais à mão do que os seus próprios dedos? Por isso o nosso sistema numérico é decimal (dígito vem de dedo), mas com as grandes quantidades passou-se a usar os grupos, ou seja, para cada duas mãos completas fazemos uma dezena.

O importante para a nossa questão é que não se contam animais nulos ou frutos Zero, e essa contagem foi passando-se de geração em geração por muitos anos, muitos séculos, até chegar ao império romano e continuar mesmo após sua decadência, fato que podemos comprovar com os algarismos romanos I , II , III , IV, V , VI ... X e vai embora, mas cadê o zero?? É isso mesmo! Não existia o Zero, porém devemos salientar que os Hindus já utilizavam o zero, entretanto não era de conhecimento ou aceitação no “resto do mundo de então.”

Lembramos que nossa cultura ocidental tem “quatro pés de apoio”: é uma cultura judaico-greco-romana–cristã.
Então como o calendário em questão é o cristão, é bom lembrar que esta pequena confusão só deveria "preocupar" 1/3 da população mundial os 33% cristãos, pois para a grande parte do planeta 2/3, essa contagem, esse ano, não teria tanta importância. Por exemplo budistas, mulçumanos, chineses e mesmo os judeus entre outros, estão em uma contagem dos anos bem diferentes das nossas.

Ocorre que com a queda do Império Romano e a força da Igreja Cristã o papa de então, João I, delegou no século VI de nossa era ao Monge Dionysius Exiguus, ou Dennis, para que o mesmo calculasse uma nova cronologia do tempo que seria o Calendário Cristão (que é este que o mundo ocidental utiliza) o Fato é que “naturalmente” a contagem foi feita a partir do 1 e não do Zero (pelo motivo já relatado anteriormente). Assim tendo-se como Cristo nascido no ano 1 e não o “certo” que deveria ser o ano zero, portanto se conta o primeiro século da era cristã de 1 a 100 o segundo de 101 a 200 e assim é lógico que o primeiro milênio foi de 1 a 1000 e o segundo milênio de 1001 a 2000 e o terceiro milênio é de 2001 a 3000, que beleza hein!?

Um detalhe que notamos é que algumas pessoas consideram “esta falha” de outra maneira. Dizem que por se ter definido o natal (nascimento de Jesus Cristo) em 25 de dezembro e adequado a contagem dos anos para o início de janeiro para coincidir com o ponto de partida do calendário romano seria por isso que a contagem do nosso calendário Cristão teria tido início no ano seguinte ao nascimento de Cristo ou seja o ano 1, portanto dessa forma não teria havido um zero e assim toda data terminada em zero (0) seria o fim de uma época e o começo este sim, seria com o um (1).

Qual das hipóteses você acha mais interessante? Comente ao fim da leitura. Continuamos agora com um pequeno detalhe: o tal do monge Dennis errou em seus cálculos e já se sabe hoje que pelo menos há um equivoco de 3 a 5 anos do real nascimento de Cristo, que teria sido na verdade antes da data que ele calculou. Alguns dizem em até 30 anos mas as evidências históricas nos aproximam mais dos 4 anos. Seja como for nós podemos então estar em uma quantidade de anos bem diferentes da que de fato estamos contando da data em que Jesus Cristo nasceu.

Hoje quando reescrevo este artigo em 2009, na verdade seria 2013 ou sabe-se lá...(?)

Vejamos outras contagens pelo mundo afora (tendo-se como base o ano 2000) que também foi seguindo uma seqüência cronológica decrescente:

6236, segundo o primeiro calendário egípcio

5760, segundo o calendário judaico

5119, no atual grande ciclo maia.

2753, segundo o antigo calendário romano.

2749, segundo o antigo calendário babilônio

2544, segundo o calendário budista

1716, segundo o calendário copta.

1420, segundo o calendário muçulmano.

1378, segundo o calendário persa.

208, segundo o calendário da Revolução Francesa.

E por fim é o ano de sua idade, qual é a sua contagem?

Pode comentar esse artigo aí em baixo, se não quiser não precisa revelar a sua contagem hehe.

Abraços do Benito Pepe

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O Ser humano em um processo de Desterritorialização, os “movimentos”, o Tempo e o poder no conhecimento, especialmente na Astronomia (Parte 2)

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1.3. Os “movimentos”

O delírio é o motor que move; por exemplo: as grandes navegações foram motivadas por este delírio, tanto quanto os estudos do universo, da natureza, do cosmos, também o foram.

A inteligência brota no homem depois que este fica em pé e este é um processo de movimento – um processo de “hominização”.

O pensamento certamente não surge de uma forma racional como o conhecemos hoje, portanto “o pensamento não pode ficar reduzido ao racional” como lembram Deleuze e Guattari em Mil Platôs(1) Gostaríamos de lembrar as diversas tribos espalhadas pelo mundo. Os pensamentos nômades; e então, no nosso campo: a Etnoastronomia com um pensamento peculiar. O pensamento não pode se reduzir à representação, ao sujeito-objeto.


Gostaríamos também de questionar: será que na origem do pensamento desde seus primórdios não tivemos também o thauma, o espanto no que tange à Astronomia, ao encantamento que o Céu deve ter propiciado a este “homem embrionário”? É claro que de maneira rudimentar e muitas vezes cosmogônicas(2) e não cosmológicas, este homem já pensava o Céu.

É o pensamento que faz o homem, não é o homem que faz o pensamento, o pensamento precede o homem - no sentido mesmo de não pertencer ao homem. Nossos sentidos nos enganam, você vê o sol girando em torno da terra mas na verdade, se sabe hoje, é a terra que gira e que se move dando-nos a impressão de ser o sol e o céu que se movem ao redor da Terra.


O que é uma vida humana se não pensarmos nos nossos valores, em nossa animalidade em nossa desterritorialização, em nossa origem cósmica ?


Observemos que nossos movimentos são muito maiores que se possa pensar. Portanto quem somos nós hoje? Homens ínfimos em uma imensidão cósmica, inimaginável em sua totalidade, tal como nós mesmos o somos inimagináveis em nossa totalidade. Talvez por sermos “poeira das estrelas” ou seja, formados, constituídos, elaborados por “químicas” provindas de bilhões e bilhões de anos do universo, por nascimentos e mortes de outras estrelas, somos por isso uma parte deste universo físico. Temos em nosso corpo e quem sabe em nossa mente, em nossa alma, uma essência deste cosmos. Talvez seja por isso tão importante continuarmos a estudar o universo, quem sabe assim nos conheçamos melhor? Se é que um dia isto será possível...

Acreditamos que da mesma maneira que viemos do cosmos, o nosso pensamento é imanente ao cosmos, ele não vem de nós, ele é em nós, ele vem em nós.


Tanto a física moderna ou melhor ainda a física contemporânea e especificamente a física quântica, quanto o pensamento são autônomos. Assim a natureza também o é. O homem é um ser da natureza, portanto para entendê-lo é necessário entender a natureza; e a natureza do homem. Mas como dissemos nossa natureza se transforma, se expande e agora em aceleração. Façamos uma analogia com o tempo.

1.4. A questão do tempo e o poder no conhecimento especialmente na Astronomia

No universo há uma expansão do espaço-tempo que está em aceleração, nós estamos dentro deste espaço, dentro deste universo, mas esse tempo não pode ser percebido por nós. Há um tempo macro e um tempo micro; nós estamos no micro, este sim é percebido por nós, e ainda assim ele é mais psicológico do que “real”, ele é determinado por nossas rotinas, por nossos hábitos, pelos sistemas e instituições nas quais estamos envolvidos, inseridos.

O que acelera o tempo é a dinâmica do capitalismo. O nosso “tempo” cronológico não mudou em nada, o dia continua tendo 24 horas (ou melhor 23 horas 56 minutos 4 segundos e 9 centésimos) há milhões de anos o tempo cronológico é praticamente o mesmo.


Temos também o movimento-tempo do Estado que manipula tudo, inclusive o conhecimento da astronomia que por muitas vezes foi e é usado como desculpas para outros objetivos menos nobres como foi o caso da “guerra nas estrelas”; das “viagens espaciais”, dos satélites espiões em órbita da terra, etc; e agora o “turismo espacial”. Dentro de algumas décadas assistiremos a um anuncio assim: saia do Planeta e o veja por completo em seu Esplendido Azul – pague a sua “viagem” em 60 x sem juros...

O conhecimento sempre foi um poder, e o conhecimento em astronomia não fugiu e não foge à regra. Por exemplo no passado quando os homens “ocidentalizados” vinham à América e utilizavam-se dos conhecimentos das efemérides(3) como eclipses lunares ou solares para intimidar os “índios” afirmando que se estes não fizessem tais ou tal coisa o “homem branco” mandaria a Lua se apagar naquela noite. É claro que o “homem branco” já sabia que haveria um eclipse naquela noite, e usavam este “conhecimento” como poder de persuasão. Este é um fato que também ocorre hoje em nossos dias mas de maneira às vezes mais sutil, outras nem tanto.
O poder do conhecimento nas “ciências armamentistas” por exemplo, é um pequeno exemplo que está aí. Quem tem mais conhecimento em armas químicas, biológicas, bomba atômica, aviões “invisíveis” etc e tal, tem mais poder.


E hoje mais do que nunca não podemos menosprezar a questão da importância do tempo e suas conseqüências. Com a nova dinâmica do capitalismo o tempo: nos transportes; na produção; na logística de distribuição e reposição; nas transmissões de informações; acelera-se de maneira nunca antes imagináveis. Enfim: Time is money (tempo é dinheiro), melhor seria dizer: tempo é poder. E melhor ainda, o conhecimento deste tempo, e de como obtê-lo é poder. A importância não está no operário mas no poder do conhecimento, e aí entra a possibilidade da manipulação deste “saber” e desse tempo.

Por fim como nós estamos “aqui no alto da montanha” nos resta viver, não simplesmente sobreviver, precisamos acima de tudo nos “movimentar” e mesmo que não tenhamos mais tempo de vida, que tenhamos mais vida no nosso tempo ou no tempo que tivermos. Enfim o “movimento” continua...

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BIBLIOGRAFIA

ANDREETA, José Pedro. Quem se atreve a ter certeza?: A realidade quântica e a filosofia. 1. ed. São Paulo: Mercuryo, 2004.


APPIAH, Kwame Anthony. Introdução à filosofia contemporânea. 1.ed. Petrópolis: Vozes, 2006.

CHÂTELET, François. Uma história da razão: entrevista com Émile Noel. 1.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994.

DELACAMPAGNE, Christian. História da filosofia no século XX; tradução, Lucy Magalhães. 1. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997.

DELEUZE, Gilles. A ilha deserta: e outros textos. 1.ed. São Paulo: Iluminuras, 2006.

REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da filosofia, Vl 7: de Freud à atualidade; tradução de Ivo Storniolo; 1.ed. São Paulo: Paulus, 2006.

SCIENTIFIC AMERICAN BRASIL, n* 12 Edição especial – Etnoastronomia.

(1) Livros publicados por Gilles Deleuze e Félix Guattari (edição original 1980) traduzidos para o português em 5 volumes, esta obra foi concluída na sua tradução em 1997.

(2) Quando nos referimos à cosmogonia diferimos da cosmologia no sentido que esta está pautada em “leis científicas” matemáticas e físicas, enquanto que aquela está mais no plano do imaginário e pautada nos deuses gregos ou outros deuses de povos primitivos etc.

(3) Efemérides - é o termo usado por magos, astrônomos, astrológos e monarcas desde a antiguidade para anunciar tanto as ocorrências de alguns acontecimentos celestiais: eclipses, cometas que passariam; bem como escolher a posição dos astros para assinaturas e tratados imperiais, tudo de acordo com a posição dos astros de cada dia, normalmente encontrados num conjunto de tabelas denominadas hoje efemérides astronômicas que indicam a posição dos astros para cada dia do ano.

Abraços do Benito Pepe
www.benitopepe.com


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