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O Ano da Astronomia. Por que 2009 é o ano da Astronomia?


O Ano Internacional da Astronomia 2009 (AIA2009) é a celebração da ciência e em especial da própria Astronomia.

É bom relembrar algumas épocas e marcas da história da Astronomia. Em primeiro lugar a Astronomia é uma das ciências mais antigas do mundo, provavelmente a primeira de todas as ciências; a astronomia (ou a física - physis) tem um papel fundamental no inicio da filosofia no mundo ocidental que ocorre nos séculos VII e VI a.C.; e depois retoma com força e com uma particularidade especial no início da modernidade na segunda metade do milênio findado, com Copérnico, Galileu, Decartes, Isaac Newton, Giordano Bruno, kotler, entre outros; toma um novo e revolucionário fôlego na contemporaneidade com Albert Einstein e a famosa teoria da relatividade especial.

Mas por que 2009 é o ano da Astronomia?

Em 1609 tivemos uma das datas mais marcantes da história da Astronomia, foi quando pela primeira vez o homem pôde ver o céu não mais com os olhos desnudos ou seja a partir de Galileu Galilei pôde-se observar o céu com um telescópio, um instrumento que ajudou a revolucionar a ciência e em especial a Astronomia. Esse instrumento foi aperfeiçoado por Galileu, mas não foi construído por ele como alguns pensam. Galileu teve o mérito de desenvolvê-lo e principalmente de ter tido a ideia de usá-lo para ver o céu e não para observar navios ou inimigos à distância, mas um objetivo mais nobre: o Céu.

Com o telescópio, Galileu Galilei pôde observar a lua como nunca antes, viu que na Lua há montanhas e imensas crateras. Com esse instrumento óptico pode constatar que em Júpiter há 4 corpos que a circundam, são as grandes luas: Europa, Ganímedes (ou Ganimedes), Io e Calisto, mas sabe-se hoje que existem outros satélites naturais em Júpiter. Essa observação corrobora para a retomada do heliocentrismo (Copérnico 1554) com a afirmação de que se é possível haver outros corpos girando em torno de outros sem ser da própria Terra, então por que a terra não poderia também ela estar girando em torno de outro corpo como o Sol.

Passou-se desde então 400 anos de observações com instrumentos ópticos não mais olhos nus. E depois tivemos um outro número bem marcante que são os 40 anos do homem na Lua, isso mesmo, em 20 de Julho 1969 o homem pisa pela primeira vez na Lua, e como disse Neil Alden Armstrong quando deu esse 1º passo, "um pequeno passo para o homem, um gigantesco salto para a humanidade".

Pela participação da Astronomia desde os primórdios do homem através de sua contemplação e “veneração” do céu, criação dos seus mitos e depois o nascimento da filosofia e da ciência, podemos observar que a astronomia tem um estreito relacionamento com o pensamento filosófico basta ver as inúmeras possibilidades que se dão de uma para a outra, eu vejo uma sinergia entre a Astronomia e a Filosofia (Pensamento) e vice versa.

Por esses motivos e tantos outros que dão a importância e relevância da Astronomia é que o ano de 2009 foi proclamado pela ONU (Organização das Nações Unidas) como o ano internacional da Astronomia. Esses são objetivos gerais:

Difundir na sociedade uma mentalidade científica;

Fornecer uma imagem moderna da ciência e do cientista;

Promover acesso a novos conhecimentos e experiências observacionais;

Promover comunidades e clubes de Astronomia;

Promover e melhorar o ensino formal e informal da ciência;

Criar novas redes de divulgação e pesquisa e fortalecer as já existentes;

Melhorar a inclusão social na ciência, promovendo uma distribuição mais equilibrada entre os cientistas provenientes de camadas mais pobres, de mulheres e minorias raciais e sexuais.


Bem, amigo leitor então mãos à obra...

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O que é um Planetário?



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Muita gente pensa que um Planetário é um lugar, mas na verdade “Planetário” é uma “máquina” (ou programa) que projeta um céu em uma cúpula (ou mesmo no seu computador), no entanto se dá o nome da máquina ao lugar, vamos entender essa diferença.


A antiga cosmologia grega inspirou a Eratóstenes e seus discípulos a construção de uma esfera oca, em cujo interior eram representados os planetas, como se a Terra fosse o centro. Daí derivam os planetários.

Planetário é um instrumento óptico-elétrico-mecânico que reproduz o movimento dos corpos celestes. Consta de um conjunto de projetores especiais que lançam a imagem do céu no interior de uma cúpula hemisférica. O projetor principal, em forma de haltere, tem nas extremidades duas esferas, que reproduzem na cúpula as estrelas até a quinta magnitude. No corpo do instrumento há uma série de projetores móveis individuais para o Sol, a Lua e os planetas: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno, que se podem ver a olho nu.

Pequenos projetores esféricos, adaptados ao instrumento principal, mostram as coordenadas celestes, círculos, horários etc., a fim de facilitar o estudo da navegação celeste. Todo o conjunto se movimenta em torno de três eixos e permite exibir o céu visto a qualquer hora, de qualquer latitude da Terra e em qualquer época, mesmo no futuro ou no passado. Nos modernos planetários, a presença de um quarto eixo de rotação permite contemplar o céu visto de fora da Terra, de qualquer ponto do espaço como se estivéssemos em uma nave espacial.


Pequeno Histórico

A esfera armilar de Eratóstenes (250 a.C.) e os globos celestes de Anaximandro (6 a.C.) foram melhorados por Tycho Brahe em 1580. Em 1664 Andreas Busch construiu o "globo de Gottorp", de quase quatro metros de diâmetro, longínquo precursor dos planetários. O globo de Roger Long, construído em 1758, acomodava trinta pessoas em seu interior. O de Wallace Walter Atwood, de 1912, continha 700 orifícios, correspondentes às estrelas até a quarta magnitude. O primeiro dispositivo heliocêntrico, ou seja, com o Sol no centro do sistema, foi construído em 1682 por Johanes Cuelen de la Haye.

Nos modelos mecânicos, era impossível reproduzir em escala as dimensões do sistema solar. Ao contrário do que se fizera até então, Walter Bauersfeld, da firma Carl Zeiss, imaginou uma representação celeste que permitisse a observação tal como é feita na natureza, ou seja, do interior da própria esfera celeste. Assim, construiu em 1919 o primeiro planetário Zeiss, dispositivo óptico com pequenas fontes de luz, convenientemente dispostas, e capaz de projetar, sobre a superfície interna de uma esfera oca, imagens que reproduziam, por sua posição relativa e brilho, o aspecto do céu noturno num dado local e num dado instante.

Os planetários se disseminaram a partir de então por todo o mundo. Os mais famosos são os de Paris, Chicago, Nova York, Los Angeles, Londres, Berlim, Buenos Aires e Tóquio.

O primeiro planetário do Brasil foi instalado em São Paulo em 1954 pela firma Carl Zeiss, que instalaria outros quatro no país: no Rio de Janeiro RJ e em Goiânia GO, em 1970, em Santa Maria RS, em 1971, e em Porto Alegre RS, em 1976.

Hoje os planetários podem ser utilizados no nosso computador através de diversos programas, alguns são gratuitos, outros muito pelo contrário bem carinhos. Bem, vou dar algumas dicas, mas sugiro que visitem sempre um Planetário “real” em sua cidade.

Dicas de Planetários Gratuitos para baixar para seu computador

Alguns Planetários que podem ser utilizados no nosso computador. Para localizá-lo e baixá-lo para sua máquina (computador) busque na Internet e escolha o seu preferido, todos da lista abaixo são gratuitos:

Stellarium;

Celestia;

Google Sky;

WorldWide Telescope;

Skyorb.

Boa viagem pelo maravilhoso universo...

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Link relacionado


ENCICLOPÉDIA BARSA. Rio de Janeiro – São Paulo: Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações.

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O Início de nossa viagem rumo ao universo desconhecido



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Então, quando começa e quando termina nossa viagem? Falo agora alegoricamente fazendo um paralelo entre a nossa vida no Planeta e nossa vida na Nave Espacial.

Bem, Nossa viagem começa quando nós entramos na “Nave” e termina quando saímos dela. Quando nascemos inicia-se nossa “aventura”, somos preparados por nossos pais para “viajar” pelo cosmos, cada um tem um papel dentro dessa grande nave mãe que talvez não por coincidência, tenhamos a mesma quantidade percentual de água em nosso corpo, que são aproximadamente os ¾ que também tem nosso planeta nessa relação: Terra /água. Vamos parar por aqui por enquanto, pois o meu objetivo neste texto é apenas o de comentar a vida nesta nossa “Nave Espacial.”

Então nossa nave mãe água será considerada mãe apenas pelo fato de ser a nossa nave principal, a nossa Raiz nossa Matrix.

Imagine que agora estivéssemos no início do século XXIII precisamente no ano de 2201, ano escolhido pela “junta de administração do planeta” para enviar uma nave tripulada pelo cosmos. Muito bem! Isso ocorreu! Isto é fato! Sendo assim vamos agora saber como seria planejada esta grande viagem, essa aventura...

A nave tripulada é imensa, é maior que qualquer transatlântico que já tenha cruzado os mares do planeta, ela tem dezenas de andares, e a locomoção de um extremo ao outro só é feita por elevadores que se dirigem em todos os sentidos e direções e que levam preciosos minutos para transportar os tripulantes de um ponto a outro da nave e tudo isso com a tecnologia mais avançada. Narro isso a fim de que o amigo leitor tenha noção da imensidão dessa “nave filha”; que deixa o Planeta (a Nave Mãe) com vários casais e seus filhos, ou seja, várias famílias foram pré-selecionadas com meticuloso cuidado por uma equipe também profunda em análises comportamentais e capacitação intelectual e o melhor da genética dos terráqueos.

Esta tripulação estava preparada e equipada para não mais retornar à nave mãe água (o planeta terra), mas sim preparada para iniciar as futuras gerações que um dia deveriam e poderiam trazer as colheitas e as descobertas que foram semeadas por outrem no cosmos. Essa primeira geração seria a responsável pelo “pontapé inicial do jogo”, apenas pelos 5 ou 10 minutos do primeiro tempo ou seja pensava-se em 8 ou 10 gerações até o retorno da nave filha ou seja aproximadamente 400 a 500 anos depois de deixar o planeta. Este seria tempo suficiente para, a uma velocidade próxima à da luz, serem visitadas ou vista uma minúscula parte da nossa galáxia a Via Láctea. A fim de que o amigo leitor tenha uma melhor idéia dessas dimensões, digo que para nossa nave chegar até a estrela mais próxima de nosso planeta, sem ser o nosso Sol logicamente, demorará aproximadamente 4,5 anos (isso viajando próximo a velocidade da luz, 300.000km por segundo, tempo suficiente para dar 7 voltas em torno da terra em um segundo).

Nossa galáxia possui algumas centenas de bilhões de estrelas e precisaríamos de 100.000 (cem mil anos) à velocidade da luz para apenas cruzar a sua extensão. Isso significa que para viajarmos de “ponta a ponta” da nossa galáxia seriam necessários 50 vezes a quantidade de anos de nossa era Cristã em outras palavras os 2000 anos desde que Jesus Cristo veio à terra são 50 vezes menores do que o tempo necessário para apenas cruzarmos a Via Láctea e isso viajando na velocidade da luz, algo “impossível”.

Vamos agora “viajar” um pouco mais, se quisermos sair de nossa galáxia e irmos para a outra galáxia em dimensões semelhantes à nossa e que não seja uma galáxia satélite nossa, pois existem algumas “pequenas” galáxias que são satélites da nossa, iremos então para Andrômeda, mas a conversa começa a ficar mais fascinante, pois aí teríamos que viajar 2,2 milhões de anos na velocidade da luz para lá chegarmos, Isto mesmo! A luz que vemos hoje chegar aqui na terra proveniente dessa Galáxia chamada Andrômeda na verdade levou mais ou menos a metade do tempo da vida da espécie que veio a se tornar o “Homem” de hoje em nosso planeta, algo ao redor de 4,5 milhões de anos. Nosso planeta tem aproximadamente 5 bilhões de anos, porém a vida veio bem depois, podemos dizer, em outras palavras, que teríamos que esperar o mesmo tempo da existência de nossa vida neste planeta, para nossa nave filha ir e retornar aqui em nosso planeta e isso se falando na vida ainda bem rudimentar e de pouca inteligência de outrora, pois a espécie humana com o desenvolvimento intelectual como é conhecida hoje é bem mais recente, talvez tenhamos poucas dezenas de milênios com o cérebro que possuímos hoje e na verdade a tecnologia aplicada em astronomia, Astronáutica ou astrofísica é muitíssimo mais recente, podemos precisar poucas décadas somente.

É interessante também mencionarmos que o agrupamento de galáxias da qual nossa galáxia faz parte, possui aproximadamente 30 galáxias e tem uma extensão de cerca de 5 milhões de anos luz. Caro amigo leitor a maior de todas as questões ainda não acabou... sabemos que existem bilhões e bilhões de galáxias no universo conhecido, e só para falar do universo conhecido e de nossa dimensão. Teremos provavelmente bilhões e bilhões de anos luz de distancia a percorrer, estima-se a idade do universo em 15 bilhões de anos, falá-se hoje em precisos 13,7 bilhões de anos, de qualquer maneira não confundamos o tempo do universo com as distâncias.

Como dissemos, existem bilhões e bilhões de outras galáxias, mas isso não importará para nossa “pequena aventura” que será apenas um passeio pelo cosmos, ou melhor, pelo quintal de nossa casa e da casa de alguns dos nossos vizinhos (outras estrelas). Relembro que para chegar na estrela mais “pertinho”, precisaremos de 4,5 anos. E isso Sem sairmos de nossa Rua a Via Láctea, pois aí precisaríamos de 50 mil ou 100 mil anos; quem diria sair do bairro? Para chegar em Andrômeda por exemplo, 2,2 milhões de anos; Cidades? Estados ou Países inimaginável?

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Em um Futuro não muito distante continuarei essa “Estória” por enquanto fique com alguns links relacionados:


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A Nave Espacial chamada Terra (ou Água)



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Este é um esboço de um livro de “ficção” que escrevi há alguns anos atrás.

É sabido que nosso planeta deveria se chamar Planeta Água ao invés de Planeta Terra, pois sabemos que na verdade nosso planeta é composto de aproximadamente ¾ de água e apenas ¼ de terra, isso prova o quanto éramos limitados em nossos conhecimentos e o quanto ainda temos a aprender sobre o “nosso” vasto universo, eu digo o “nosso” pois ainda não temos uma comprovação do tamanho desse universo e pensamos que ele seja infinito e se ele não for infinito? Neste caso então teríamos outros universos? Ou o que hoje se chama outras dimensões, o que já é aceito pela maioria dos astrônomos mundiais. Quando se fala em outras dimensões estamos ampliando as 4 dimensões conhecidas para 11 dimensões; sendo 10 espaciais e uma de tempo. De qualquer maneira quando falamos em universo estamos falando em tudo o que há, tudo o que existir é o Universo.

O fato é que chamamos nosso planeta de “Terra” e isso já demonstra nossa pobreza inicial em relação ao conhecimento do mesmo, é também sabido o quanto se tem estudado sobre o nosso Planeta, suas montanhas, vulcões, florestas. Mas temos ainda outros diversos pontos da terra a estudar e tudo isso sem falar dos imensos rios e do próprio oceano que é a incomensurável maioria do planeta como já relatado anteriormente, o fundo desse oceano ainda é uma incógnita.

Vamos para a segunda parte da verdade histórica e desconhecida por muitos. Nosso planeta é uma grande Nave Espacial... como podemos provar os fatos?

Bem, Viajamos pelo universo a uma velocidade de 108.000 quilômetros por hora, ou 1.800 quilômetros por minuto, ou 30 quilômetros por segundo; e tudo isso atrás do Sol. Só para lembrar isso nada tem a haver com o movimento de giro no seu próprio eixo (o que nós chamamos de dia que tem 23,9345 horas – arredondamos para 24 horas). O movimento em torno do Sol ou seja um giro completo em volta da Nossa estrela é o que nós chamamos de ano, e leva 365,256 Dias; na realidade a velocidade que viajamos pelo universo é a velocidade em que estamos inseridos dentro da expansão do mesmo. A Terra segue atrás do Sol que por sua vez segue junto com outras bilhões de estrelas de nossa galáxia, que por sua vez seguem outras bilhões de galáxias que também por sua vez vão se expandindo e assim viajamos pelo universo sem saber nosso destino.

Uma certeza podemos ter: Viajamos pelo Universo. Quanto a isso não há dúvidas, isso é um fato e um consenso entre os estudiosos do assunto. Estamos dentro desta Nave, queiramos ou não, tenhamos medo ou não de voar, e o avião voa a “apenas” 1.000 quilômetros por hora em seus vôos comerciais. Como estamos em uma grande Nave Espacial, na verdade todos os voos de Avião que fazemos são apenas passeios dentro desta própria nave, e as viagens tripuladas ou não pelo cosmos nada mais são do que “passeios” fora de nossa nave, mas o fato é que nossa Nave Mãe é a Terra ou melhor a fatia de terra da grande Nave Água.

Uma Nave saindo da “Nave”: os Preparativos Iniciais para a Viagem

Começamos a construir a outra Nave Espacial... serão necessários longos anos e toda a tecnologia de ponta disponível e inimaginável à maioria de nós pobres terráqueos.

Nos planejamentos iniciais já se definiram quantos casais irão “embarcar” na Nave, alguns já com filhos. Entrarão: sábios, cientistas de todos os gêneros, médicos, engenheiros, além é claro de pessoas para trabalhar a “horta” e toda a fonte alimentar necessária para nossa viagem.


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Férias em Marte?



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Por Leandro Guedes (1)

Você já teve vontade de passar férias em Marte? Nessa época de fim de férias pode ser interessante pensar como seria viajar para outro planeta. Há vários anos paira no imaginário popular a possibilidade de viagens interplanetárias. Certamente, Marte será aquele que irá tirar do imaginário para a realidade o desejo humano de fazer viagens desse tipo.

Em 2004, o governo norte-americano estabeleceu algumas metas para a agência espacial americana, NASA (do inglês National Aeronautic and Space Administration). Dentre elas estava substituir o veículo conhecido como ônibus espacial por outro, batizado de Orion, mais seguro e capaz de levar humanos a vários objetos do Sistema Solar. Os planos são realizar o primeiro voo tripulado orbitando a Terra em 2014 e chegar a Marte por volta de 2037. Começam a sair do imaginário e ir oficialmente à prancheta de desenhos as viagens interplanetárias.

Mas existem alguns desafios imediatos. Minimizando o gasto de combustível, ida e volta a Marte pode demorar cerca de dois anos. A primeira preocupação é com a saúde, física e mental, da tripulação. Será necessário garantir a integridade mental da equipe, que deverá ser composta de quatro a seis astronautas, e estará confinada em um espaço com o tamanho de um apartamento grande. Por dois anos! Dentre os problemas físicos que podem surgir por todo esse tempo sem perceber a gravidade da mesma forma que na superfície terrestre, está a liberação excessiva de cálcio e enfraquecimento muscular, já que esqueleto e músculos não estão sustentando o peso do astronauta como na Terra. Uma forma de minimizar esse problema é fazer exercícios em equipamentos de musculação adaptados.

O material necessário para manter a tripulação por dois anos no espaço e alguns meses na superfície marciana é enorme. Provavelmente, uma parte será enviada em missões não tripuladas direto para Marte. O que será usado na viagem deverá ir para o espaço em sucessivos lançamentos, e tudo montado lá em cima. É a idéia da construção de uma estação espacial: levar partes e montar tudo como um quebra-cabeça. Mas, até hoje, essa idéia só foi aplicada duas vezes, nas estações espaciais MIR (“paz” ou “mundo” em russo) e ISS (do inglês International Space Station ).

Após as primeiras missões a Marte, vai levar algum tempo, para, talvez, serem promovidas viagens turísticas para lá, como existem passeios em órbita da Terra hoje. Quando acontecer, todos os desafios de hoje ficarão no passado. Chegaremos bem, e aí, é só aproveitar o lugar!
Se você quiser ir se preparando, pode passar alguns dias em um deserto terrestre. O deserto do Atacama, no Chile, é particularmente semelhante ao que os viajantes para Marte irão encontrar quando chegarem lá. Mas tem que ser lá bem no meio do deserto! Não vale ficar nas proximidades de alguma estrada em uma pousada. Lá no meio! Vendo apenas areia e pedras até o horizonte e só ouvindo o som do vento o tempo todo.

E aí? Ainda tem vontade de passar férias em Marte? Talvez seja possível um dia. Mas não me convide...


(1) Leandro Guedes, possui graduação em Astronomia pelo Observatório do Valongo / Universidade Federal do Rio de Janeiro (2003), graduação em Tecnólogo em Processamento de Dados - Faculdades Integradas Anglo-Americano (1996) e mestrado em Astronomia pelo Observatório do Valongo / Universidade Federal do Rio de Janeiro (2008). Atualmente é astrônomo da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Astronomia, com ênfase em Astronomia Extragaláctica, atuando principalmente nos seguintes temas: astronomia, astronomia extragaláctica, cosmologia, e educação. Possui experiência em divulgação de astronomia e educação informal praticada no Museu do Universo da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro.


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A Astronomia, as "viagens espaciais" e o marketing dentro da Indústria Cultural (por Benito Pepe)

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A Astronomia, “as viagens espaciais” e o marketing dentro da Indústria Cultural (1.4)




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Podemos observar no cinema ou na televisão uma boa quantidade de filmes ou seriados de ficção científica: invasões extraterrestres e viagens espaciais intergalácticas; que de maneira geral não permitem uma reflexão, não nos possibilitam, em princípio, um pensamento mais
elaborado quanto a estas questões. Muito pelo contrário estes filmes que como toda a elaboração da indústria cultural tende a ser acelerada, de maneira superficial, e funciona com a velocidade que não lega tempo para o pensamento.

Assim comenta Chaui (2005)

Como os meios de comunicação nos infantilizam, diminuem nossa atenção e capacidade de pensamento, invertem realidade e ficção e prometem, por intermédio da publicidade, colocar a felicidade imediatamente ao alcance de nossas mãos, acabam nos transformando num público dócil e passivo. (p.299)

Na realidade este é o seu objetivo, infantilizar, deve-se estar dócil e manipulável, aliás a indústria cultural e aqui não se trata só do cinema ou da televisão, mas de revistas, jornais, rádios, etc; enfim todos os meios de comunicações possíveis e imagináveis e os que possam vir a surgir, como a recente Internet, têm uma função que nos parece bem clara, “desenvolver-se” com as massas e como massa é algo maleável aí está uma das questões.

Conseqüentemente temos a idéia de mass media ou meio de massa que são utilizados pela televisão e pelos diversos veículos de comunicação. A mídia como é usada no Brasil, Estados Unidos e tantos outros países, é o moldador desta massa. Se há massa é necessário “moldá-la”.

Utiliza-se destes caminhos para justificarem-se algumas “viagens espaciais”; a indústria cultural colabora com os governos ou com quem lhes “pague”, na realidade estas viagens são aqui no “quintal” do planeta Terra, estamos falando por exemplo da estação espacial internacional (ISS) que está a aproximadamente e apenas 10% da distância Terra-Lua ou melhor está somente em órbita da Terra (em uma queda constante). Mas tudo isto é mostrado e transmitido pela televisão como se fosse uma grande viagem intergaláctica confundindo a realidade com a ficção dos filmes e seriados. E porque ocorre tudo isto?

Bem, é necessário justificar-se uma verba solicitada ao congresso, como o dinheiro vem do povo é imperativo que se mostre na televisão e em outras mídias esta propaganda que, da mesma maneira como foi útil na época da guerra fria e da corrida espacial, agora está caminhando para um turismo espacial e uma supremacia deste “espaço” por alguns (poucos) países.

Como a indústria cultural está interligada à indústria de bens e serviços e a uma “ciência instrumental” e uma passou a depender da outra, da mesma forma a propaganda governamental e todos os seus objetivos são incessantemente articulados pela mídia.

Precisamos aqui fazer uma pequena distinção entre desejos e necessidades, esta é algo oriundo nos seres humanos, tais como: necessidade de alimento, locomoção, e comunicação por exemplo, mas para satisfazê-las não precisamos comer um caviar ou um pescado que custa centenas de euros em um restaurante francês, não precisamos de um automóvel de ultima geração para nos locomover, e para nos comunicar não precisamos de um celular ultramoderno, que o falar através dele, é o menos importante tão requintado que é este aparelhinho de nossos dias.

Tudo isto são desejos criados por uma “industria cultural” mercantilizada, em que se usa da estética e da tecnologia, para cada vez mais aprimorar o “embelezamento” dos produtos de consumo. Mas é preciso se separar e distinguir o que é belo do que é simplesmente útil.

Bem, a necessidade é satisfeita independente do desejo. O desejo é normalmente criado em nós e é recriado constante e infinitamente.

Como vimos há necessidades e há desejos o que em geral a mídia e o marketing éticos deveriam fazer seria identificar necessidades e desejos de um público e gerar os bens e serviços para atender a estas necessidades, na realidade o que ocorre é uma criação de desejos que são confundidos com necessidades e são implantados em uma estrutura maior, um esqueleto que passa a ficar interdependente.

O marketing dentro da indústria cultural elabora a criação de tantos desejos nesta massa, que conseqüentemente o que temos são indivíduos que se tornam produtos. Vejamos e pensemos o tanto de coisas que carregamos quando saímos para trabalhar e até mesmo para o lazer, por que precisamos de tantas coisas? E o pior, tem que ser de tal marca. A imagem passa a nos perseguir. Como somos mercadorias ambulantes, assim nos diz Chaui (2005)

A propaganda passa a estimular imagens de indivíduos vencedores na competição instituída pelo mercado de trabalho: roupas, calçados, bolsas e pastas de grife, sabonetes, perfumes e desodorantes que sugerem requinte e glamour, cosméticos de marcas famosas, etc., passam a constituir o próprio corpo do individuo, formam sua imagem como uma espécie de segunda natureza ou de máscara colada em sua pele. (p.295).

Como nos relembra Chaui, nós precisamos ser mantidos infantis e desta forma mais desejosos de satisfações constantes, em outras palavras, precisamos toda hora de uma “balinha” de um docinho como crianças insaciáveis e pior sem maturidade. Não é interessante que reflitamos, que tenhamos críticas.

Entendemos assim porque produtos e mais produtos nos fascinam tanto. Diferentemente de um estudo mais elaborado que exigiriam de nossa mente tanto esforço para compreendê-lo, pois somos doutrinados ou adestrados para de tal forma não entendê-lo, ou não se interessar por ele... será que precisamos, portanto, nos libertar desta caverna, como alegoricamente colocou Platão?

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Referência bibliográfica

CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. 13.ed. São Paulo: Ática, 2005.


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O estruturalismo na antropologia e a etnoastronomia (1.3)



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Um dos nomes a se destacar no que tange ao estruturalismo e principalmente na antropologia é Lévi-Strauss (1908-) que segundo cita Reale (2006) teve a seguinte intuição: “as ciências humanas, e a antropologia em particular, não podem continuar indiferentes diante dos sucessos da lingüística; devem adotar seus métodos”. (p.84)

Lévi-Strauss aplicou o método estruturalista em dois pontos principais: nos estudos de relações de parentesco e nos mitos de povos primitivos, ditos como povos sem “história”.

Foi assim que em As estruturas elementares do parentesco (1949), logo após a 2* guerra mundial, sobre a base de uma analogia de método e de objeto entre lingüística e antropologia, olha a sociedade como conjunto de indivíduos colocados em comunicação por meio de diversos aspectos da cultura. Assim as regras de matrimônio e os sistemas de parentesco são considerados como uma espécie de linguagem. E a mensagem é constituída “pelas mulheres do grupo que circulam entre os clãs, as estirpes e as famílias”. Lévi-Strauss citado por Reale (p.84).

Como dito Lévi-Strauss também menciona as questões mitológicas. Ele analisa milhares de mitos nas mais variadas sociedades humanas encontrando nelas modos de construção análoga em todas. Ele as entendeu como recursos de uma narrativa da história tribal, como expressões legítimas de manifestações de desejos e projeções ocultas, todas elas merecedoras de serem admitidas no papel de matéria-prima antropológica. E Lévi-Strauss conclui que existem estruturas “psico-lógicas” profundas, estruturas elementares do pensamento humano contido em todas as sociedades independente da raça, clima ou religião seguida.

“A antropologia e as ciências etnográficas põem a nu sistemas compactos de regras, valores, idéias e mitos que nos plasmam desde o nascimento e nos acompanham até o túmulo.” Reale (p.83).

Como cita Reale (2006) - Lévi-Strauss dirá em Tristes trópicos (1955) e também em Antropologia estrutural, “que a vida dos primitivos é melhor, mais autêntica e mais harmonizada com a natureza do que a dos povos civilizados” (p.86). Gostaríamos de completar lembrando que estes povos chamados “primitivos” já tinham uma harmonia muito estreita não só com a natureza nossa mãe e confinante próxima, mas também com o Cosmos distante, como podemos observar através de exemplos diversos em etnoastronomia ou “astronomia antropológica” que é o estudo que observa como os diversos povos vêem e interpretam os movimentos celestes. As concepções sobre o Universo destes grupos étnicos e culturais chamados “primitivos” e que vêem o mundo de um modo diferente do ocidental, e que às vezes fazem muito mais sentido do que a fria ciência astronômica.

Citando alguns exemplos da utilidade que estes povos faziam das observações astronômicas poderíamos mencionar um “Tablete” que servia a um principio prático: instruir as mulheres sobre os períodos mais adequados para uma gravidez evitando-se assim que a gravidez fosse terminar durante períodos de migração entre o abrigo de verão e o de inverno daquele agrupamento humano; delimitar os períodos favoráveis à agricultura; obter um sistema de localização através do céu; e acima de tudo cria-se um embrião no homem para o maior espanto de todos os espantos o esplendor provocado pelo encantamento do universo.

Naturalmente o calendário surge desta observação da “passagem do tempo” e das configurações observadas entre o céu e a natureza. Mas, como nos diz Tapenaiky professor wayampi (uma sociedade indígena brasileira) “O calendário dos brancos parece um quadrado cheio de números. Os brancos só mudam os números. O calendário wayampi é redondo e só com palavras, com nomes de animais e de frutas marcando o tempo, por exemplo, o tempo da bacaba ou o tempo do açaí”. (1)

Na Etnoastronomia e também na etnolinguistica verificamos como a nossa visão do mundo depende de nossa linguagem.

Hoje se sabe que as mesmas técnicas que nos proporciona observar as profundezas cósmicas, paradoxalmente nos impedem de ver as estrelas com a tal poluição luminosa, e além do mais toda a conseqüência gerada pelas diversas técnicas e tecnologias do mundo ocidental nos fazem esquecer o Céu por não podermos observá-lo com a naturalidade de outrora. Mas este olhar para o céu foi uma das atividades mais nobres exercidas pelo ser humano, e possivelmente foi ela que nos fascinou a ponto de gerar o produto cultural que chamamos de ciência. Há milênios nasceu a astronomia a mais antiga de todas as ciências.

A importância ou não do pensamento científico segundo Lévi-Strauss:

De fato, na história da humanidade aconteceu um fenômeno importante, capital, que é o nascimento do pensamento científico e seu desenvolvimento. Esse fato é um valor intrínseco, em si mesmo, que eu realmente coloco fora do relativismo cultural. Agora, se você olha as coisas um pouco mais do alto, dirá que esse pensamento científico que respeitamos e que nos apaixona em seus progressos passo a passo, que se efetua no decorrer dos séculos, anos ou dias, é na realidade profundamente vão. Já que o que nos ensina é, ao mesmo tempo, a melhor compreender as coisas em seus detalhes e que não podemos jamais compreender na totalidade, no conjunto.

O pensamento científico, ao mesmo tempo que alimenta nossa reflexão e aumenta nossos conhecimentos, mostra a insignificância última desse conhecimento. Depende do seu ponto de vista e do nível, que é o nosso, o do homem do século XX, do mundo ocidental, o pensamento científico é algo essencial, fundamental, e devemos utilizá–lo. Porém, se nos tornamos metafísicos, diremos que de fato ele é essencial, mas ao mesmo tempo é preciso saber que não serve para nada.

Podemos perceber com essas palavras que Lévi-Strauss deixa claro que há outros valores e importância maior para a vida. Não elimina a necessidade da ciência mas não lhe dá importância suprema como muitos o fazem. Os mitos e “donos” da “verdade” não podem ser transferidos de magistérios, antes a religião agora a ciência, acreditamos que não. Mas sabemos da importância da Astronomia em todos os tempos, talvez um dos caminhos para o estudo de nossa origem cósmica.

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No próximo tópico: O estruturalismo na Filosofia


Referências Bibliográficas:

REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da filosofia, Vl 7: de Freud à atualidade; tradução de Ivo Storniolo; 1.ed. São Paulo: Paulus, 2006.

Notas:

(1) Tapenaiky, na reportagem de Luiz Carlos Borges, in SCIENTIFIC AMERICAN BRASIL, n* 12 Edição especial – Etnoastronomia, p.40.

(2) Lévi-Strauss, em entrevista à Bernardo Carvalho, in FOLHA DE S. PAULO, 22 de outubro de 1989.

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A origem do Universo e da Vida (há vida só aqui na Terra?)



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Quando falamos em Universo e Vida vem à nossa mente de forma inevitável a pergunta: Estamos sozinhos no Universo ou há vida em outros lugares além do Planeta Terra?

Vou colocar para reflexão inicial uma frase de Carl Sagan: - "Às vezes acredito que há vida em outros planetas às vezes eu acredito que não. Em qualquer dos casos, a conclusão é assombrosa." Em outras palavras: Da mesma maneira é fascinante, pensarmos que estamos sozinhos neste universo ou pensar que haja outras vidas em outros planetas ou “corpos” celestes no cosmos...

Amigo leitor só há essas duas possibilidades estamos sozinhos no cosmos e isso seria um “desperdício de espaço” incrível, ou estamos acompanhados. Não é realmente fascinante qualquer que seja a situação?

Bem, vamos começar. Primeiramente temos que entender o que é Universo e o que é Vida.
O que você acha que é o Universo? O que você pensa que é Vida?

Universo é tudo o que existe (ponto). É isso mesmo, para que não haja dúvida e falem em Universos paralelos, outras dimensões etc. Portanto tudo o que houver é o Universo.

Para se falar em o que é “Vida” já é mais complicado, no entanto podemos dar algumas características pelo que a ciência conhece nos dias de hoje sobre o que seja vida: em princípio “toda vida tem que ter células”, aliás a célula bacteriana foi provavelmente a primeira forma de vida no Planeta, daí teríamos tido uma evolução e diversas outras formas de vida foram surgindo saindo inicialmente do Mar. Esse é um fato aceito pela maioria dos estudiosos da origem da Vida.

É fato também que a vida é uma soma de outras vidas, como sabemos nosso organismo é composto por células. Interessante também é lembrarmos que muitos dos seres vivos animais devoram outros seres vivos para Viver, e é o nosso caso: nos alimentamos de outros animais.

Entretanto, filosoficamente falando, com relação ao homem abrimos um outro ponto: o homem é um ser diferente, pois é um ser que pensa o Ser. É um ser que pensa a existência, pensa a vida, pensa a morte, pensa o cosmos. Essa é sem dúvida uma experiência que poucos seres no universo têm, ou seremos só nós? Ao menos no Planeta terra, somos só nós.

Desenvolvemos: “Conhecimento Vulgar”, Cultura, Religião, Filosofia, Ciência. E com o desenvolvimento de nossa capacidade de emitir sons, falar, através de um canal de nosso aparelho digestivo: a boca; pudemos desde tempos remotos transmitir “conhecimentos”; depois desenvolvemos a Escrita Cuneiforme (4000 a.C) o alfabeto (+ ou – 1000 a.C) e assim passamos a disponibilizar de maneira “eterna” nossos “conhecimentos” para todas as gerações; desenvolvemos a imprensa com Gutenberg (séc XV) e assim multiplicamos os leitores; e por fim agora com a Internet distribuímos o “conhecimento” de uma maneira inimaginável até então.

Voltemos ao tema: Vida! Não podemos determinar claramente o que é vida. Há grupos místicos ou religiosos que afirmam que a vida está em tudo.... não podemos esquecer o transcendente ainda que filosoficamente. Devemos ter grande respeito ao que nos transcende: o Universo nossa origem cósmica (somos poeiras das estrelas). A terra, muito menos ela, pode ser desprezada. Somos parte da natureza quanto a isso não há dúvida, temos em nosso organismo vários dos componentes contidos no planeta Terra: Oxigênio (65%), Carbono (18,5 %), Hidrogênio (9,5%), Nitrogênio (3,2%), e tantos outros metais encontrados na natureza.

Por que somos poeira das estrelas? Bem, o fato é que sabemos que nebulosas formam estrelas e as “poeiras” que darão origem àquela estrela podem ter sido já o resíduo (a poeira) de outras estrelas. Cada estrela que “morre” deixa elementos mais pesados que a anterior, cada nova geração tem portanto as condições e quantidades maiores de elementos químicos que podem possibilitar a Vida. O nosso Sol por exemplo é de terceira geração ou seja morreram antes dele surgir duas gerações de estrelas que deixaram elementos químicos mais pesados uma para as outras e que possibilitaram a vida nesse resíduo de “poeira” que desenvolveu a nossa Estrela, o Sol e o Planeta Terra.

Como diz Andreeta:

Sabemos que tudo o que existe no nosso universo (e também nós mesmos) é constituído de minúsculas partículas de matéria e de energia, e que forças naturais atuam sobre essas partículas, aglomerando-as para formar tudo o que existe. Porém, hoje não existe mais distinção entre matéria e energia. Segundo Einstein, matéria e energia são dois estados diferentes de uma mesma “substancia quântica universal”. Os conhecimentos científicos atuais parecem, portanto, convergir com os da filosofia antiga, que afirmam que tudo o que existe deve provir de uma única fonte. (2004, p.9).

Há um ponto que precisamos refletir quanto a nossa origem e quanto à natureza e o nosso esquecimento de imanência (pertencimento) a ela. Para corroborar com esse pensamento cito um trecho que menciono no tópico: A Astronomia e o Esquecimento do Céu, também postado por mim. Brockelman diz:

O que perdemos, portanto, foi a habilidade de ver nossa vida como parte de uma ordem e uma realidade mais amplas, para além de nossos transitórios desejos e sonhos diários. Ao ver a natureza e todo o universo como uma “matéria” posta aqui para nossa transformação e uso infinitamente produtivos, reduzimos a realidade a um mero valor extrínseco para nós; ela não é mais vivenciada como intrinsecamente valiosa em si. Por conseqüência, perdemos todo senso de pertencer a um drama e a uma realidade mais vastos e significativos. (2001, p.23)

Quanto a essa questão da origem do universo e/ou da vida, há diversos “grupos” espalhados pelo planeta que em épocas distintas da história da humanidade tiveram e têm seus próprios “mitos” de criação (quando falo em mito refiro-me a palavra grega mythos, que tem um sentido muito mais amplo). Vide o nosso exemplo do mundo ocidental com origem Judaico-Greco-Romana-Cristã. Não vamos entrar nesse ponto, até porque este não é um artigo religioso, mas quero lembrar que são inúmeros estes relatos da origem do Universo e da Vida. Mas, no mínimo, devemos respeitar os nossos antepassados e as idéias quanto ao Criacionismo.

Falando “cientificamente” temos em uma Linha do Tempo da Criação:

No “inicio” era a Singularidade infinita (um ponto - há 13,7 bilhões de anos atrás);

Nos primeiros micro-segundos as forças gravitacionais e nucleares se separam;

Entre 1 e 3 minutos a Matéria surge em partículas, juntamente com o hélio e o hidrogênio;

300.000 anos depois: hidrogênio e hélio formam nuvens encaroçadas;

Entre e 1 e 5 bilhões de anos: forma-se cerca de 50 bilhões de galáxias;

8 bilhões de anos depois surge o Sol e os planetas do sistema solar;

Alguns bilhões de anos depois surge a Vida na Terra, no inicio apenas formas microscópicas;

Entre 3 e 4 bilhões de anos atrás: DNA, fotossíntese, e regeneração sexual;

Há 700 milhões de anos surgem as criaturas multicelulares no oceano;

Há 550 milhões de anos os primeiros moluscos de concha aparecem, também novas formas de vida marinha como peixes e animais mamíferos surgirão daí;

400 milhões de anos, a vida emerge do oceano;

Há 235 milhões de anos, aparecem os dinossauros; [há 65 milhões de anos são extintos os dinossauros que viveram aqui durante 170 milhões de anos – nós só estamos aqui há 2 milhões.].

Há 216 milhões de anos, aparecem os primeiros mamíferos;

210 milhões de anos atrás, ocorre a ruptura da pangéia e formação de continentes;

2,8 milhões de anos surgem os primeiros humanos: Homo habilis.

1 milhão de anos – o Homo erectus.

Entre 200 e 300.000 anos atrás – Arcaico Homo sapiens.

Hoje “a ciência vê o Todo na nova cosmologia”.

Em se falando em “ver o Todo”, não poderíamos deixar de mencionar a física quântica e quanto a isso cito o que diz Andreeta:

Vistos no plano atômico, todos os corpos que constituem o universo do ser humano possuem um comportamento dinâmico de troca de partículas. Os átomos que estão agregados aos corpos não são permanentes. Eles fluem constantemente através dos corpos sólidos: a pedra e o corpo físico humano compartilham os mesmos átomos. (...) Como os átomos fluem constantemente de um corpo para outro, a separação entre os corpos é, portanto, ilusória. Mesmo que o ser humano queira, não pode se isolar dela e de nada. (2004, p.20).

Bem amigo leitor, uma coisa é certa: o milagre de ser é impressionante. Apesar de nem sempre termos sido o que somos hoje, nós Somos! E no amanha... o que Seremos?

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Links relacionados com esta postagem:

A Astronomia e o Esquecimento do Céu.

A Estrada do Tempo e da Vida.

O Universo é Finito?

Do Mito à Filosofia, o Caso da Astronomia.

Considerações finais quanto ao texto “A Filosofia e a Astronomia: instancias em que o thauma aparece”


Referências Bibliográficas:

ANDREETA, José Pedro. Quem se atreve a ter certeza? : a realidade quântica e a filosofia. 1. ed. São Paulo: Mercuryo, 2004.


BROCKELMAN, Paul. Cosmologia e criação: a importância espiritual da cosmologia contemporânea. 1.ed. São Paulo: Edições Loyola, 2001.


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A Astronomia e o esquecimento do Céu (4.3)


Ainda no texto: A Filosofia e a Astronomia...

Em nossos dias, da mesma forma que é mais “fácil” estar aí jogado esquecendo o ser e se ocupando em várias atividades e coisas do dia a dia como: trabalho, assistindo à Televisão, indo ao cinema, teatro, “baladas” e outras tantas e diversas atividades; da mesma maneira se esquece o Céu, se esquece o universo, se ocupando com tantas “atividades noturnas”. Assim perdemos o sentido de nossa origem. Conforme comenta Brockelman:

O que perdemos, portanto, foi a habilidade de ver nossa vida como parte de uma ordem e uma realidade mais amplas, para além de nossos transitórios desejos e sonhos diários. Ao ver a natureza e todo o universo como uma “matéria” posta aqui para nossa transformação e uso infinitamente produtivos, reduzimos a realidade a um mero valor extrínseco para nós; ela não é mais vivenciada como intrinsecamente valiosa em si. Por conseqüência, perdemos todo senso de pertencer a um drama e a uma realidade mais vastos e significativos. (2001, p.23)

Ocorre uma perda, um esquecimento desta nossa origem cósmica. Uma das maneiras que teríamos para nos aproximar um pouco dela seria o estudo da nova cosmologia, conforme diz Brockelman, há

(...) uma realidade além de nós e que, entretanto, nos inclui. A cosmologia permite um vislumbre dessa realidade mais ampla ao mostrar que a natureza é o resultado de um mistério originador ou do que Vaclav Havel chama o “milagre do Ser” que brilha através dela. (2001, p.82).

Mas hoje em dia é difícil encontrar uma pessoa que se envolva com a astronomia, eu digo envolva no sentido mais profundo da palavra, no sentido mesmo de submergir. Isto se dá, por três motivos principais: 1) as pessoas buscam normalmente se envolver com coisas que não as façam pensar muito (querem o lazer simples e despreocupado); 2) muitas vezes buscam algo que possa trazer retorno financeiro e não vêem na astronomia algo com esta possibilidade (principalmente no Brasil); 3) com tanta poluição luminosa em nossas cidades é praticamente impossível se observar o Céu. (isto só ocorre quando viajamos para cidades distantes das grandes metrópoles).

E é neste terceiro ponto que gostaríamos de nos ater. Heidegger menciona o esquecimento do Ser através do tempo no mundo ocidental, como já comentamos anteriormente. Mas gostaria de evidenciar: nós esquecemos o Ser, porque nos ocupamos demais com tantas e tantas atividades provindas da técnica; nós esquecemos o cosmos, o universo, o Céu porque desenvolvemos uma técnica que da mesma forma e paradoxalmente que nos aprofundou nos confins do universo, “desenvolve” no planeta e na atmosfera da Terra, tanta e tanta poluição de todos os níveis que não nos permitem “ver” a noite, aqui destacamos a poluição luminosa.

Nós somos morcegos que erroneamente iluminamos o nosso Céu e assim na verdade o “apagamos”, o ofuscamos. Nós precisávamos do Céu para nossa “busca noturna” mas com tanta luz perdemos esta possibilidade e com isso veio a “fome” e o esquecimento do cosmos, nossa origem.

Como supomos hoje através dos “conhecimentos” de astronomia, e como dissemos, foi através de mortes e ressurgimentos de algumas estrelas: “poeiras” que formam estrelas que ao morrer tornam-se novamente poeiras “encontrando-se” com outras que com elementos químicos cada vez mais complexos formam novas estrelas. Portanto o nosso Sol e todo o sistema solar assim fora formado. Em outras palavras nós somos “poeira das estrelas”, e assim sendo não há dúvidas que nossa origem é cósmica, nós viemos deste vasto, imenso, infinito ou finito universo, que tem aproximadamente 13,7 bilhões de anos desde o chamado Big Bang. E da mesma forma que é espantoso, que é um verdadeiro thauma relatar mitos da criação através das diversas religiões, é da mesma maneira um verdadeiro espanto os relatos da nova cosmologia, conforme diz Dennis Overbye citado por Brockelman:

O que poderia aproximar mais do caráter de mito do que a noção de que o universo de fato apareceu, talvez do nada; de que os átomos em nossos ossos e sangue foram formados em estrelas a anos-luz de distancia e bilhões de anos atrás; ou de que as partículas ainda mais antigas de que são compostos esses átomos são fósseis de energias e forças que existiram durante o primeiro microssegundo da criação, as quais mal podemos compreender? Somos todos artefatos do universo, lembranças andantes do mistério último. Somos poeiras andantes, poeiras de estrelas andantes. (2001, p.93).

Mas o nosso questionamento é: se nós nos esquecemos do sentido do Ser, será que nós nos preocuparemos com esta nossa origem? Cito novamente na íntegra o trecho do Kant mencionado por Châtelet, pois me parece profundamente relevante para esta monografia; Kant diz

Duas coisas enchem o coração de admiração e veneração, sempre novas e sempre crescentes, à medida que a reflexão se dirige e se consagra a elas: o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim (...) o primeiro espetáculo, de uma inumerável multidão de mundos, aniquila, por assim dizer a minha importância, por ser eu uma criatura animal que deve voltar à matéria de que é formado o planeta (um simples ponto no Universo) depois de (não se sabe como) ter sido dotada de força vital durante curto espaço de tempo. O segundo espetáculo ao contrário eleva infinitamente o meu valor, como o de uma inteligência por minha personalidade, na qual a lei moral me manifesta uma vida independente da animalidade e até mesmo de todo o mundo sensível. (1994, p.102).

Este deslumbramento já ocorre há tempos imemoriáveis. Poderíamos citar os diversos povos do oriente que se fascinavam muito com o cosmos: os chineses, babilônios, assírios e egípcios; e também povos aqui das Américas como: os Maias, os Incas e mesmo nossos índios e outros povos chamados “primitivos”; que já se preocupavam e se ocupavam com a observação do Céu, mas vieram os nossos dias e novas ocupações surgiram, a técnica faz com que possamos nos aprofundar no mais distante do cosmos e ao mesmo tempo faz o povo esquecer deste Céu...

Abraços do
Benito Pepe

No próximo tópico apresento minhas Considerações Finais.


Referências Bibliográficas

BROCKELMAN, Paul. Cosmologia e criação: a importância espiritual da cosmologia contemporânea. 1.ed. São Paulo: Edições Loyola, 2001.

CHÂTELET, François. Uma história da razão: entrevista com Émile Noel. 1.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994.

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Comentários quanto ao capítulo 3


Continuando nosso texto sobre Filosofia e astronomia.

Como dizia Albert Einstein: “a imaginação é mais importante do que o conhecimento”. E, acreditamos, que foi e é através dela que a humanidade chegou até os nossos dias. Os conhecimentos de todas as categorias não poderiam existir se não fosse por nossa imaginação; por isso gostaria de questionar: porque temos que pensar sempre com a razão? Esta mesma humanidade existe há aproximadamente 2 milhões de anos e esta chamada razão só é mensurada há aproximadamente 2 mil e 500 anos (?)

Portanto quem somos nós hoje? Homens ínfimos em uma imensidão cósmica, inimaginável em sua totalidade, tal como nós mesmos o somos inimagináveis em nossa totalidade. Talvez por sermos “poeira das estrelas” ou seja, formados, constituídos, elaborados por “químicas” provindas de bilhões e bilhões de anos do universo, por nascimentos e mortes de outras estrelas, somos por isso uma parte deste universo físico. Temos em nosso corpo e quem sabe em nossa mente, em nossa alma, uma essência deste cosmos. Talvez seja por isso tão importante continuarmos a estudar o universo, quem sabe assim nos conheçamos melhor?

Vimos tantos e tantos paradigmas que foram quebrados na modernidade, mas quem sabe outros tantos não sejam quebrados agora na pós-modernidade ou hiper-modernidade como preferem chamar alguns, ou mesmo em um futuro longínquo. E quem pode afirmar que será sempre através desse racionalismo científico sistemático que se chegará à verdade? Se é que um dia possamos chegar até ela.

O Thauma quanto aos fenômenos da Natureza e quanto ao Ser, permanecerão esquecidos? Algumas situações ocorrem na modernidade e fazem com que o homem se afaste da idéia de imanência e da tentativa de compreender o mundo natural em sua inteireza, como nos lembra Brockelman (2001, p.59-60) e que transcrevo de forma reduzida:

1. Uma delas é a mundivisão cartesiana que retratava a realidade como dividida em dois aspectos, “espírito” e “matéria”, assim a natureza foi dessacralizada, e uma teologia ou cosmologia natural foi considerada impossível; 2. outra é que até meados dos séculos XIX as ciências naturais tinham-se fragmentado em inúmeras disciplinas separadas, cada uma com focos e formas de discursos diferentes. Assim excluíam o Todo e a interdependência dessas partes; 3. Por último temos que o próprio modelo de fazer ciência parecia impedir uma imagem abrangente do Todo na medida em que o objetivo era estudar e reduzir esses todos (incluindo a “natureza”) a suas partes. Assim os todos – e o Todo – foram simplesmente menosprezados porque a ciência estava demasiado fascinada com as partes para notá-los (e nota-lo).

Questionamos: voltaremos agora na contemporaneidade a tentar compreender esse Ser e esse cosmos em sua inteireza, em sua inter-relação, em sua totalidade?

Retomaremos a esta questão no final do próximo capítulo. Vejamos antes as questões referentes ao fenômeno; à fenomenologia; e ao esquecimento do ser tratado por Heidegger.

Abraços do
Benito Pepe

No próximo tópico apresento uma introdução ao quarto e último capítulo deste texto.

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As influências da Astronomia e a quebra de paradigmas (continuação capítulo 3.3)



Continuando nosso texto que fala da relação e importância entre a Astronomia e a filosofia no espanto, no thauma.


Estávamos no centro do universo, Éramos os seres mais importantes do universo, todos os corpos celestes: o sol, a lua, os planetas, tudo girava em torno de nós e portanto não havia dúvidas, nós éramos mesmo os benditos do cosmos. Esta concepção como dissemos foi “quebrada”, invalidada com Copérnico e o heliocentrismo; desta forma nós passamos a saber que não estávamos no centro deste universo, mas que éramos mais um “corpo” aí junto com os outros girando entorno do sol ...

Também é quebrada a hierarquia aristotélica que dizia que da terra à lua havia uma “natureza” e da lua para cima outra diversa. Havia uma parte superior e uma parte inferior. Em cima a natureza imutável, permanente; embaixo, a matéria mutável; acima a realidade supra lunar; abaixo a realidade sublunar. A lua marcava o limite entre esses espaços, o mundo supralunar seria constituído de matéria sutil, isto fazia com que se separassem duas ciências da realidade natural, a ciência do supralunar: a astronomia, e a ciência do sublunar: a física, como nos faz recordar Châtelet (1994, p.55).

Mas isso como dissemos foi “quebrado”, abandonado também. Aqui poderíamos lembrar de Tycho Brahe e Michael Maestlin que após a observação de um cometa em 1577 chegaram à conclusão que ele estava além da esfera lunar, o que violaria a concepção aristotélica que pregava a imutabilidade dos céus, a quintessência, e desta forma “quebrariam”, contestariam também as chamadas “esferas cristalinas” que girariam no céu carregando os planetas.

Tivemos então, a quebra de outro paradigma que dizia ser o céu imutável, nada poderia ocorrer além da órbita da lua, mas isso ocorreu... apareceu um cometa por lá; houve então outro questionamento: tudo pode mudar? Ainda que o acreditássemos de maneira diferente por tanto tempo?

Tínhamos também a idéia de perfeição através das órbitas circulares, hipótese que também é “quebrada”, refutada com Johannes Kepler que através de árduas observações: constata que na realidade o que ocorre são órbitas elípticas e não perfeitos círculos como se supunha.
Assim, depois de tantas “quebradeiras” a única coisa que não se quebrou foram as “esferas cristalinas” por que elas não existiam. Agora, depois de tantas reformulações, o que é que sobra para este ser? Émile Noel questiona François Châtelet: Qual é, então, a pergunta filosófica que Descartes faz? Châtelet responde:

...poderíamos dizer que até Descartes a filosofia fez esta pergunta: Que é o ser? Como ele é? Descartes pergunta: Que é o conhecimento? Isso equivale a validar o trabalho de Galileu, a mostrar em que condições gerais o trabalho de Galileu se torna inteligível. (1994, p.63).

“Portanto em que consiste o heliocentrismo?” Prossegue Châtelet, “consiste em dizer ao sujeito empírico que está aqui neste mundo: Você acha que o mundo é como você o vê. Mas vou lhe fazer uma proposta: vamos, em espírito, até o Sol, para observar o mundo a partir dali.” (1994, p.63) Châtelet continua concluindo que às vezes as coisas podem ser mais simples do que nós imaginamos, mas nós precisamos ver de outro ângulo. Nós precisamos sair de nosso casulo e irmos à busca do verdadeiro conhecimento.

Mas, Descartes diz que, pela perfeição divina, exige-se que o próprio Deus escreva em linguagem matemática que é a linguagem da racionalidade integral. Acreditava também que o homem tornar-se-ia senhor e possuidor da natureza. Châtelet diz “que esse domínio da natureza não era, talvez, nem tão possível nem tão bom quanto acreditávamos.” (1994, p.65). E isto se pôde observar com a “crise da modernidade.”

O processo de racionalismo modifica-se dos tempos gregos para a modernidade no que tange o seu jeito de ser, agora ele está mais pautado na matemática no que diz respeito às ciências naturais e especialmente na astronomia. Para Descartes até mesmo Deus é uma “evidência” da luz natural e não da luz sobrenatural. É a razão que demonstra a existência de Deus. Não é mais o Deus de Moisés, de Abraão e de Jacó.

Quanto a isto poderíamos citar Albert Einstein em 1936 quando diz: “Todos os que se envolvem na busca da ciência acabam se convencendo de que um espírito se manifesta nas leis do universo - um espírito muito superior ao do homem.” É claro que tanto Descartes como Einstein eram homens de fé, e de certa forma buscaram a confirmação de suas crenças de maneira similar e racional.

Voltando ao racionalismo no que tange ao conhecimento temos que mencionar Kant que vai questionar a metafísica e a critica enquanto razão metafísica. A razão, diz ele, tem apenas um uso teórico, cognitivo, o de se criticar a si mesma, ser capaz de fixar limites para si mesma. Em a Crítica da Razão Prática, trecho mencionado por Châtelet diz:

Duas coisas enchem o coração de admiração e veneração, sempre novas e sempre crescentes, à medida que a reflexão se dirige e se consagra a elas: o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim (...) o primeiro espetáculo, de uma inumerável multidão de mundos, aniquila, por assim dizer a minha importância, por ser eu uma criatura animal que deve voltar à matéria de que é formado o planeta (um simples ponto no Universo) depois de (não se sabe como) ter sido dotada de força vital durante curto espaço de tempo. O segundo espetáculo ao contrário eleva infinitamente o meu valor, como o de uma inteligência por minha personalidade, na qual a lei moral me manifesta uma vida independente da animalidade e até mesmo de todo o mundo sensível. (1994, p.102).

Podemos observar que vários pensadores influíram no modo de pensar na modernidade e ajudaram a deslocar os posicionamentos do homem nesse mundo. Para Kant, por exemplo, só há conhecimento sob o horizonte de uma totalidade graças à qual a experiência pode ser pensada como sistema. Chega-se ao conhecimento dado pela razão ao debruçar-se sobre a natureza.

A “revolução copernicana” em filosofia, como diz Kant se dá quando: não é o sujeito que se orienta pelo objeto (o real), como quis a tradição, mas o objeto que é determinado pelo sujeito. Vide o prefácio à segunda edição da Crítica da Razão Pura (1787). Sujeito e Objeto são, portanto, para Kant termos relacionais.

A recolocação, o reposicionamento do homem ainda não acabou... nós agora neste momento sabemos que além de nosso pequenino planeta não estar no centro do sistema solar, a nossa estrela o Sol também não está nem mesmo no centro de nossa Galáxia, nos encontramos em um “cantinho” do braço de Órion há aproximadamente 27.000 anos luz de distância do centro da Galáxia. E sabemos também que nem mesmo nossa galáxia é centro de alguma coisa, nem sabemos se há um centro.

No próximo tópico teço alguns comentários quanto ao terceiro capítulo.

Abraços do Benito Pepe
Referências Bibliográficas
CHÂTELET, François. Uma história da razão: entrevista com Émile Noel. 1.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994.
KANT, Immanuel. Immanuel Kant: Textos seletos. Introdução de Emmanuel Carneiro Leão. 3.ed. Petrópolis: Vozes, 2005.
Entre outras já mencionadas


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A Cosmologia e a Astronomia (continuação capítulo 2.3)


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Por isso, tivemos assim, no que tange a Astronomia, um grande passo para o que viria a ser a Cosmologia – diferentemente da cosmogonia – que não é uma ciência; aquela já é uma ciência, pois a estudamos com teorias e observações, estamos procurando causalidades lógicas, ordem e organização, pautamo-nos na matemática. Estamos abertos às críticas, justificadas. Conforme mencionamos, entre as características do pensamento filosófico-científico, estão a Physis, a causalidade, a arqué (elemento primordial), o cosmo, o logos e o caráter crítico. Agora gostaria de citar o que Marcondes diz sobre o uso deste racionalismo em conexão com este real que é o cosmos:

É a racionalidade deste mundo que o torna compreensível, por sua vez, ao entendimento humano. É porque há na concepção grega o pressuposto de uma correspondência entre a razão humana e a racionalidade do real – o cosmo – que este real pode ser compreendido, pode-se fazer ciência, isto é, pode-se tentar explicá-lo teoricamente. Daí se origina o termo “cosmologia”, como explicação dos processos e fenômenos naturais e como teoria geral sobre a natureza e o funcionamento do universo. (2005, p.26).

Eudoxo, século IV a.C, deixa um legado que será relembrado nos textos de Aristóteles (c. 350 a.C) e Simplício (c. 500 d.C). Ele se preocupava com a Cosmologia do presente, queria explicar o movimento planetário. Para isso criou esferas dentro de esferas que giravam em relação umas às outras, preconizando o que seriam os epiciclos pré-copernicanos. Aristóteles vem e coloca a terra no centro deste sistema – é o geocentrismo – que seria desqualificado, bem mais tarde, cerca de vinte séculos depois, por Copérnico (1473-1543), com a teoria do heliocentrismo (o sol no centro do universo). Embora não tenha sido uma idéia totalmente original de Copérnico que a busca lá nas múltiplas hipóteses cosmológicas que se fizeram até então, foi na hipótese de Aristarco de Samos que Copérnico se baseia. Copérnico parte dessa hipótese, e isto dará um grande ponto de partida para a astronomia moderna.

Aristarco (c.310-230 a.C) , astrônomo grego, se assim podemos chamá-lo, formula a hipótese de que o sol se encontrava no centro do nosso universo. Ele era uma exceção ao pensamento geocêntrico de então. Mas como explicar que a terra estando em movimento, ainda assim as estrelas pareciam fixas no céu quando as observávamos (aqui desta Terra móvel) ? Aristarco postula que a distância entre a terra e as estrelas era muito maior que a distância da terra ao sol, assim o raio da órbita da Terra poderia ser considerado nulo em comparação à enorme distância que nos separa das estrelas. Aristarco fez também boas estimativas das distâncias entre a Terra e o Sol e entre a Terra e a Lua. Conforme comentado por Cherman (2004, p.25).

Antes destes astrônomos porém, já tínhamos outros grandes pensadores, como nos relembra Cherman (2000, p.23) , alguns deles já comentamos: “no século VI a.C.: Tales, Anaximandro, Anaxímenes e Pitágoras.” Queremos destacar agora Pitágoras que afirmava, conforme lembra Cherman, que: “a criação do Universo se dava através dos números, esboçando a importância que a Matemática viria a ter nas modernas teorias cosmológicas.”

Certamente Pitágoras não poderia imaginar o quão longe a astronomia poderia chegar através da utilização da matemática como ferramental. Pitágoras, como sabemos, nos deixou heranças não só pela própria matemática, mas também, como menciona Marcondes (2005, p.33) pela “doutrina segundo a qual o número é o elemento básico explicativo da realidade, podendo-se constatar uma proporção em todo o cosmo, o que explicaria a harmonia do real garantindo o seu equilíbrio”.

Pitágoras mencionava também a harmonia da música, com relação ao cosmos e uma proporção ideal em todo o universo. Foi daí que Johannes Kepler(3), na idade moderna busca uma harmonia do mundo, como relembra Gleiser (2006) no seu romance de mesmo nome. Kepler suspeitou que os planetas apresentavam órbitas elípticas (e não circulares, como acreditava Copérnico). E para confirmar isso se utilizou da matemática e das observações e anotações das posições planetárias feitas por Tycho Brahe. Vemos assim que a cosmologia, agora de forma observacional, empírica e matemática distancia-se totalmente da antiga cosmogonia, mas é bom lembrar que ainda na idade moderna a astrologia era confundida com a astronomia.

Também, podemos elucidar, como relembra Chaui que foi “graças aos primeiros filósofos gregos e à idéia que a natureza é uma ordem que segue leis universais e necessárias que”:

No início do século XVII, Galileu Galilei deu novo impulso à física ao estudar o movimento dos graves ou “pesados” (ou a estabelecer as leis da queda dos corpos) e, para isso, a demonstrar as leis naturais do movimento uniforme e do movimento uniformemente variado. ... Isaac Newton, no final daquele mesmo século, a estabelecer as leis matemáticas da física, a demonstrar as três leis do movimento e a chamada “lei da gravitação universal”, que, como o nome indica, é válida para todos os corpos naturais. ... E, no século XX, levou Albert Einstein a estabelecer uma lei válida para toda a matéria e energia do universo, lei que se exprime na fórmula E=mc2. (2005, p.20).

Estes são exemplos de alguns legados deixados pelo pensamento grego-filosófico-científico-astronômico, e que sem dúvida vieram a revolucionar o pensamento moderno e contemporâneo.

Abraços do Benito Pepe
Seu comentário é bem vindo
(3) Johannes Kepler (1571-1630) Astrônomo que, usando dados coletados por Tycho Brahe (as oposições de Marte entre 1580 e 1600), mostrou que os planetas não se moviam em órbitas circulares, mas sim elípticas. Esse pequeno detalhe, difícil de ser observado a partir da Terra, deu a Newton uma pista para formular a teoria da gravitação universal, 50 anos mais tarde. Newton viria a declarar: "se enxerguei longe, foi porque me apoiei nos ombros de gigantes". Não declara exatamente quem seriam esses gigantes, mas Kepler certamente era um deles.
Referências Bibliográficas
MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 9.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.
______________. Textos básicos de filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 4.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.
CHERMAN, Alexandre. Cosmo-o-quê?: uma introdução à cosmologia. 1.ed. Rio de Janeiro: Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro, 2000.
______________. Sobre os ombros de gigantes: uma história da física. 1.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004.
GLEISER, Marcelo. A harmonia do mundo: aventuras e desventuras de Johannes Kepler, sua astronomia mística e a solução do mistério cósmico, conforme reminiscências de seu mestre Michael Maestlin. 1.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. 13.ed. São Paulo: Ática, 2005.
__________. Introdução à história da filosofia: dos pré-socráticos a Aristóteles, volume 1. 2.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

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Feliz Ano Novo!! Feliz 2009!!



Dizem que o tempo está passando mais rápido (?), quanto a isso eu questiono em meu artigo de mesmo nome. Mas, uma coisa é certa, o tempo está voando. Nessa aurora de Novo Ano deixo meus votos de Sucesso e Realizações para este ano de 2009, estamos quase no final da primeira década do século XXI (21). Já a alguns milhares de anos o homem se preocupa em contar o tempo. Mas isso tinha objetivos claros, um deles era o de saber as estações do ano a fim de identificar o tempo para plantar, o tempo para colher, o tempo para o descanso, o tempo para as festas, etc.

Para isso contribuiu de maneira fundamental a observação do Céu , Olhando para as estrelas e suas “formações” os homens sabiam em que época do ano estavam. Hoje continuamos em sintonia com a natureza mas agora com tanta tecnologia observacional que podemos medir o tempo de maneira nunca antes imaginada. Por exemplo o relógio de Césio mede o tempo atômico, o mede com uma precisão que nem os britânicos seriam capazes de seguir hehe.

Agora dividimos o tempo em tantas ínfimas partes e até mesmo em décimos ou milésimos de segundo como é o caso real na Fórmula 1, que cada segundo e micro segundo têm um valor especial. E é isso que eu quero sugerir aos amigos, que tenhamos em 2009 um valor especial para cada segundo, minuto, hora, dia, semana, mês e enfim para todo o ano. E ao olharmos para trás (aliás é o único lugar para onde podemos olhar) possamos enxergar boas realizações e assim nos inspirarmos para seguir em frente. De qualquer maneira precisamos lembrar: o passado só existe em nossa memória; o futuro é apenas uma projeção; então a única coisa que existe de fato é o presente. Vivamos o nosso presente, estejamos presentes na vida, no mundo!!

No próximo tópico vou falar um pouco desta contagem do tempo e como ele é diverso no nosso planeta, não é para todo o planeta que estamos em 2009, e mesmo assim na nossa contagem do tempo (na parte do mundo ocidental) apresenta-se um erro de contagem. Vejamos isso quando falarmos da Dúvida do milênio texto que escrevi em 1999, quando se falava do “Bug do milênio” na virada para 2000... na “verdade” o milênio começaria em 2001 [pensava-se na época em uma pane nos computadores por causa dos dígitos usados, que passariam de 2 algarismos (99), para quatro (2000) ou mesmo dois algarismos assim (00)].

Boas leituras para este novo ano, boas viagens, um bom trabalho, uma alegre vida em família.

Uma boa passagem de ano!!
Abraços do Benito Pepe
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Do Mito à Filosofia, o caso da Astronomia (capítulo 2)



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Pretendemos neste capítulo discorrer sobre a passagem do mito à filosofia e a participação que a astronomia tem nesse processo, tendo em vista que os primeiros filósofos eram voltados à natureza ou a physis como veremos. Para isto começamos esclarecendo o que vem a ser o chamado mythos. Ilustramos com alguns exemplos de mitos da criação do mundo. Lembramos que alguns permanecem nos dias de hoje. Damos alguns exemplos de corpos celestes que tiveram seus nomes oriundos nos diversos mitos da antiguidade. Distinguimos cosmogonia de cosmologia e mito de filosofia. Mostramos como surge a filosofia, em que condições históricas e quais são os fatores determinantes para a sua origem. E quais são as características desse pensamento filosófico. Comentamos sobre o legado que os chamados pré-socráticos deixam para a cosmologia e a astronomia não só para a modernidade como para os nossos dias na contemporaneidade.

2.1. O mito e a cosmogonia

Mito segundo o Dicionário básico de filosofia de Japiassú e Marcondes é uma

Narrativa lendária, pertencente à tradição cultural de um povo, que explica através do apelo ao sobrenatural, ao divino e ao misterioso, a origem do universo, o funcionamento da natureza e a origem e os valores básicos do próprio povo. Ex.: o mito de Ísis e Osíris, o mito de prometeu etc. O surgimento do pensamento filosófico-científico na Grécia antiga (séc. VI a.C.) é visto como uma ruptura com o pensamento mítico, já que a realidade passa a ser explicada a partir da consideração da natureza pela própria, a qual pode ser conhecida racionalmente pelo homem, podendo essa explicação ser objeto de crítica e reformulação; daí a oposição tradicional entre mito e logos. (2006, p.189).

Vamos portanto percorrer neste capítulo, a passagem desse mito à filosofia e vamos o quanto for possível e pertinente mencionar uma configuração do surgimento da ciência e da astronomia científica ou cosmologia que se difere da cosmogonia, como veremos neste processo. Cosmogonia segundo Japiassú:

(gr. Kosmogonia: criação do mundo) Teoria sobre a origem do universo, geralmente fundada em lendas ou mitos e ligada a uma metafísica. Em sua origem, designa toda explicação da formação do universo e dos objetos celestes. Atualmente, designa as explicações de caráter mítico. (2006, p.59)

Assim assumiremos neste texto este posicionamento, esta distinção entre cosmologia e cosmogonia considerando portanto esta ultima como “mítica”, ou melhor não pautada em leis físicas.

Antes podíamos dizer que o “conhecimento” estava com todo o povo, pois o mito “pairava no ar”, fazia parte do povo e o mito era o “conhecimento”. Ele era passado de geração em geração de forma oral. Dessa maneira não se exigia muito, “bastava ouvir”, para captar o mito, o mito era componente desse povo.

Mas o que vem a ser esse mito? O termo grego mythos ‘’significa um tipo bastante especial de discurso, o discurso fictício ou imaginário, sendo por vezes até mesmo sinônimo de “mentira”.’’ Como diz Marcondes (2005, p.20). Portanto este discurso difere-se do discurso do logos, como veremos mais à frente.

Poetas como Homero, com a Ilíada e a Odisséia (séc. IX a.C.), e Hesíodo (séc. VIII a.C.), com a Teogonia, foram indivíduos como diz Marcondes, “que registraram poeticamente lendas recolhidas das tradições dos diversos povos que sucessivamente ocuparam a Grécia desde o período arcaico (c. 1500 a.C.)”. (2005, p.20).

Talvez, quando o homem começa a utilizar-se do mito para, de certa forma, buscar respostas para as diversas perguntas que certamente se questionava, já estava procurando uma explicação para o que ocorria na natureza. Assim a primeira forma de compreender o espanto, o thauma gerado pelos fenômenos da natureza e também os sentimentos humanos, e aplacar as angustias foi e muitas vezes ainda é o mito.

Portanto o mito foi um início de “caça” por algumas respostas (para usarmos um termo pertinente à época). O que de certa maneira gostaríamos de chamar de: o embrião da ciência. Mas evidentemente que não tem nada a ver com a ciência como vamos conhecê-la posteriormente. Pois se difere desta em vários aspectos, um deles é o investigativo, e como as explicações são dadas, ou seja o discurso que os constituem.

No mito o discurso pressupõe a adesão e a aceitação dos indivíduos que não o questionam, e assim ele pode ser dado sem fundamentação, e não se presta à crítica nem à correção. Ao contrário, para os pensamentos filosófico-científicos, precisamos de uma lógica, uma coerência, é facultada à observação empírica, pode se criticar e corrigir eventuais desacertos. Mas o fato de não ser questionado, e de não ter uma lógica não impediu que fossem passados de geração em geração milhares de mitos, tal foi e tal é a força do mito.

Os mitos de criação, por exemplo são inúmeros. Vários povos do passado, tinham os seus particulares, muitos eram conflitantes, outros com algumas afinidades entre si. Conforme exemplifica Vieira:

Para os Sumérios o universo fora criado pela união de Anu (deus do Céu) e Ki (Terra) e dessa união surgiram o Sol, a Lua, os planetas e todas as formas de vida. Encontramos a mesma mitologia na Grécia (união de Urano, deus do Céu, e Gaia, a Terra), no Egito (união de Nut, deusa do Céu, com Keb, Terra). O Centauro, Órion e Hércules imaginados pelos gregos foram importados dos sumérios que os conheciam como Enkiru, Gilgamesh e Marduk, respectivamente. (2002, p.15).
Mas o interessante é que uma grande parte dos mitos de criação, tinha uma certa conexão cronológica, uma seqüência bem definida, uma causalidade, embora mítica. Mas seria natural que esses povos, sem muitos “ferramentais” intelectuais disponíveis, buscassem na imaginação o seu “apoio”. É interessante observar que alguns destes relatos têm até fundamentação cronológica e científica apurada posteriormente. Não vamos aqui, tomar partido nem dar opiniões a este respeito, pois muitas destas questões estão no magistério da fé.

De todos os relatos da criação, a mais conhecida no ocidente é sem dúvida a do Gênesis da Bíblia Judaico-Cristã como comenta Cherman:

O mecanismo criador é o próprio Deus onipotente, que está além do Universo e o contém. “No princípio era o Nada e Deus disse ‘faça-se a luz!’ e fez-se a luz.” Esta idéia tem sua primeira semente no zoroastrismo (talvez a primeira religião a adorar um deus único) e sua figura de Aúra-Mazda, o sábio senhor. (2000, p.20).

Poderíamos citar diretamente da Bíblia de Jerusalém no Gênesis, capítulo 1º, o início deste relato da criação:

1 No princípio, Deus criou o céu e a terra. 2 Ora, a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um vento de Deus pairava sobre as águas.
3 Deus disse: “Haja luz” e houve luz. 4 Deus viu que a luz era boa, e Deus separou a luz e as trevas. 5 Deus chamou à luz “dia” e às trevas “noite”. Houve uma tarde e uma manha: primeiro dia. (1985, p.31).

Como vimos, antigas tradições míticas de nossos ancestrais nos foram transmitidas, e muitas ainda fazem parte de nossa cultura. Outras deram nomes a “corpos celestes” como: estrelas, constelações, planetas, nebulosas, galáxias, faixa luminosa no céu, etc. Estas situações, cenas que representavam suas lendas, deuses e heróis, batalhas, entre outras, ajudaram nossos antepassados a memorizar suas estórias e histórias. Os ajudaram a se locomover sem se perder guiados pelas estrelas e constelações. Os apoiaram na identificação da estação do ano em que se encontravam, e sabiam quando viria a próxima e qual seria. Sabiam quando era a época das enchentes dos rios. Quando era época de plantar e de colher, etc.

Alguns nomes dados a esses “corpos celestes” merecem aqui referência a título de ilustração, como por exemplo a Via-Láctea - via-lactea, (não confundir com a nossa galáxia local, também chamada de Via-Láctea). Como diz Vieira é:

Uma larga faixa luminosa que se vê a olho nu nas noites de céu estrelado. Segundo a mitologia grega, originou-se do leite jorrado dos seios de Juno, quando esta amamentou Hércules. Também para a mitologia grega era através da Via-láctea que se chegava ao Olimpo, ficando à direita e à esquerda as habitações dos deuses mais poderosos. É também por onde os heróis entram nos céus. (2002, p.29).

Outro exemplo interessante, de nomes dados a estes “corpos celestes” seria uma constelação, que de alguma forma faz referência ao nosso trabalho, pois cita o amor pela astronomia. Como estamos falando da passagem do mito à filosofia enfocando o caso da astronomia, não poderíamos deixar de falar de Órion. Segundo Vieira:

Órion – Orion. É uma constelação muito antiga. Na Suméria representava o herói Gilgamesh. Na mitologia grega tomou o nome do filho de Hirieu. Tornou-se célebre por seu amor à Astronomia e pelo seu gosto à caça. Diana, a quem ele ousara desafiar, enviou à Terra um escorpião, cuja picada matou Órion. Escorpião e Órion foram, então, transformados em constelações. (2002, p.28).

Outros mitos fazem alusão ao Sol, à Terra, à Lua e aos diversos planetas conhecidos de então, os chamados “corpos errantes” ou planetas, pois não seguiam os mesmos caminhos das estrelas: eram “errantes”. Aqueles planetas que podiam ser vistos a “olho nu” - sem a necessidade de telescópios - também poderiam ser citados aqui, mas nosso principal objetivo é demonstrar a passagem do mito à filosofia e portanto só mencionamos aqueles exemplos anteriores, para ilustrar um pouco a importância, relevância e a conexão com a natureza que esses povos tinham já há muitíssimo tempo.

Cherman comenta no seu livro - Cosmo-o-quê? Uma Introdução a Cosmologia, no capítulo intitulado – Cosmogonia - que há uma diferença substancial entre a Cosmologia e a Cosmogonia e que “qualquer tentativa de explicar o Universo sem a utilização das leis físicas que o regem será, aqui, denominada de teoria cosmogônica.” (2000, p.14). Assim entendemos que para as diversas perguntas da humanidade sempre se tentaram respostas por diversos caminhos antes dos científicos.

Os gregos, diz Cherman, foram os que mais contribuíram para as teorias cosmogônicas:

Nenhuma cultura contribuiu mais para as teorias cosmogônicas do que a da península do Peloponeso. Os gregos, ainda que afeitos às suas divindades, inauguraram um novo jeito de pensar o Universo. É verdade que ainda cantavam os feitos de Zeus (que seria Júpiter para os romanos), filho de Cronos, o titã que representava o tempo, neto de Uranus, a própria abóbada celeste, mas já ensaiavam um pensamento crítico que lhes permitia examinar a natureza com olhos de cientistas. (2000, p.21).

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Referências Bibliográficas deste tópico

BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Edições Paulinas , 1985.

CHERMAN, Alexandre. Cosmo-o-quê?: uma introdução à cosmologia. 1.ed. Rio de Janeiro: Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro, 2000.

__________________Sobre os ombros de gigantes: uma história da física. 1.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004.

JAPIASSÚ, Hilton; MARCONDES, Danilo. Dicionário básico de filosofia. 4.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.

VIEIRA, Fernando. Identificação do céu. 3.ed. Rio de Janeiro: Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro, 2002.

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